Método com menos dependência em petróleo mantém China competitiva no mercado de PVC
Desde o início dos conflitos no Irã e do aumento da instabilidade no Oriente Médio, agravados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, a extrema volatilidade do petróleo bruto e de seus derivados desorganizou as cadeias globais de suprimentos. Esse cenário geopolítico transformou o mercado mundial de PVC, polímero tradicionalmente derivado do etileno (um subproduto do petróleo).
A China, antes a maior importadora do composto, assumiu a posição de maior exportadora global. Essa virada estratégica foi possível graças ao seu modelo de produção baseado no carboneto de cálcio, derivado do carvão mineral. Ao utilizar a via do acetileno em vez do etileno, a indústria chinesa blindou-se contra as oscilações do barril e garantiu alta competitividade no comércio internacional.
Ao passo que o custo do PVC via etileno disparou, a margem das petroquímicas internacionais foi reduzida a níveis muito baixos, forçando cortes de produção e paralisações por força maior na Europa e na Ásia, a China manteve sua estabilidade operacional. Em cenários com o petróleo cotado entre US$ 80 e US$ 90 o barril, a rota do carvão permitem que as fábricas do noroeste chinês produzam o PVC de US$ 210 a US$ 280 mais barato por tonelada do que as concorrentes operadas à base de petróleo.
Isso não sinaliza uma mudança estrutural na produção global da molécula, mas sim um momento pontual em que as crises geopolíticas e a consequente alta do petróleo abriram espaço para o método alternativo.
Autoral GlobalKem | 29 de julho de 2026