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Seca amplia atenção sobre químicos para tratamento de água

A intensificação da seca em diferentes regiões do Brasil aumenta a atenção sobre a disponibilidade e a qualidade da água utilizada no abastecimento público. A atualização mais recente do Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostrou piora do fenômeno principalmente no Norte e Nordeste, enquanto o Sul ficou livre de seca em agosto.

Entre julho e agosto, a severidade da seca aumentou em 17 unidades da Federação. No Nordeste, cerca de 90% da região apresentava algum grau de seca, e cinco unidades federativas, Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Piauí e Roraima, registravam o fenômeno em todo o território. Em área absoluta, Amazonas, Pará, Minas Gerais, Bahia e Goiás concentravam as maiores extensões afetadas.

O Cemaden também identificou situações mais críticas. Em agosto, 153 municípios brasileiros estavam classificados em seca severa e quatro em seca extrema, todos estes localizados na Bahia. Dos 97 municípios que passaram a apresentar seca severa ou extrema entre julho e agosto, 91 estavam no Nordeste.

Para o setor de tratamento de água, o impacto não depende apenas da quantidade disponível nos rios e reservatórios. Alterações nas condições dos mananciais também exigem acompanhamento constante das características da água captada. O Ministério da Saúde determina o monitoramento de parâmetros como turbidez, cor, pH, demanda química e bioquímica de oxigênio, além de nutrientes e contaminantes, justamente para que o tratamento seja ajustado às condições da água bruta.

A relação com o consumo de químicos, a própria literatura técnica do Ministério da Saúde destaca que a turbidez dos mananciais superficiais varia significativamente entre períodos de chuva e estiagem, exigindo ajustes operacionais nas estações de tratamento. A ANA informa que, quando a turbidez aumenta, pode ser necessária uma quantidade maior de coagulantes, elevando os custos do tratamento.

É nesse processo que entram produtos, Sulfato de Alumínio, PAC e Cloreto Férrico podem ser utilizados na coagulação e remoção de partículas, cor e parte da matéria orgânica. Na etapa de desinfecção, Cloro e Hipoclorito de Sódio são utilizados para controle microbiológico e manutenção de residual desinfetante na água distribuída. Em determinados sistemas, o Peróxido de Hidrogênio também pode atuar como oxidante.

Para o mercado de químicos de tratamento de água, portanto, a expansão da seca não permite concluir que haverá aumento generalizado do consumo. Em alguns sistemas, determinadas condições podem exigir maiores dosagens de coagulantes, oxidantes ou desinfetantes, em outros, a resposta pode ser diferente. O efeito depende da qualidade da água bruta, da tecnologia da estação e das características de cada manancial.

O ponto de atenção para os próximos meses é a evolução da seca principalmente no Norte e Nordeste e seus reflexos sobre rios e reservatórios. Caso as condições se prolonguem, companhias de saneamento poderão precisar adaptar processos operacionais para manter os padrões de potabilidade, tornando ainda mais relevante o acompanhamento da disponibilidade e do consumo dos químicos empregados no tratamento.

Autoral GlobalKem | 01 de outubro de 2026

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