Câmbio eleitoral deve frear efeito da safra sobre preços em 2026
Os preços dos alimentos surpreenderam positivamente em 2025 ao registrar recuos consecutivos, mesmo em um período tradicionalmente marcado por maior demanda e custos elevados no campo. O movimento foi sustentado por uma safra recorde no Brasil, boas colheitas no exterior e pela valorização do real frente ao dólar, fatores que aliviaram os custos ao longo da cadeia produtiva e contribuíram para conter a inflação no consumo doméstico.
Para 2026, no entanto, analistas avaliam que esse cenário favorável tende a perder força. Embora a expectativa de uma nova safra volumosa possa ajudar a limitar pressões sobre alguns produtos, o câmbio não deve repetir o desempenho de 2025, especialmente por se tratar de um ano eleitoral. A perspectiva de maior volatilidade fiscal e política tende a manter o real mais depreciado, o que reduz o efeito desinflacionário observado recentemente.
A dinâmica cambial é determinante para a formação de preços, uma vez que influencia tanto a competitividade das exportações quanto os custos de produção, incluindo fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos utilizados no campo. Com o dólar mais valorizado, parte da produção tende a ser direcionada ao mercado externo, limitando a oferta interna e reduzindo o espaço para novas quedas de preços.
Dados do IPCA-15 mostram que, entre junho e dezembro de 2025, os preços dos alimentos para consumo no domicílio recuaram por sete meses consecutivos, encerrando o ano com alta acumulada de 1,94%. Para 2026, contudo, as projeções indicam aceleração, com pressão adicional vinda das carnes e menor contribuição do câmbio, o que deve interromper a trégua recente observada na inflação de alimentos.
Adaptada GlobalKem | 30 de dezembro 2025