Braskem Reporta Compressão de Margens em Polímeros e Pressão de Custos no 4ºTrimestre de 2025.
A Braskem divulgou na última sexta-feira (27) seus resultados referentes ao 4º trimestre de 2025, apontando ciclo desafiador para a cadeia de insumos químicos industriais. Os spreads (diferença entre preço de venda e custo da matéria-prima) de polímeros e derivados de cloro seguem comprimidos globalmente, enquanto custos de matéria-prima e energia pressionam margens de produção.
No 4º trimestre de 2025, o PVC na Ásia operou com spread de US$ 286/t (-12% trimestral, -15% anual), o PE nos EUA registrou US$ 350/t (-14% trimestral, -10% anual) e o PP na Ásia fechou em US$ 276/t (-11% trimestral, -12% anual). A soda cáustica nos EUA caiu para US$ 385/t, com recuo expressivo de 23% na comparação anual, indicando excesso de oferta estrutural que limita capacidade de repasse para produtores brasileiros.
A taxa de utilização de eteno no Brasil recuou para 59%, queda de 6 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, impactada por parada programada na Bahia e ajuste sazonal. As vendas de químicos caíram 15% (595 mil toneladas) e de resinas 6% (743 mil toneladas). A folga de oferta doméstica pode beneficiar compradores no curto prazo, mas sinaliza risco de desligamento de capacidade marginal se o ciclo se prolongar.
Do lado dos custos, o etano no Brasil subiu 15% no trimestre para US$ 197/t e 21% na comparação anual, enquanto o gás natural nos EUA operou a US$ 3,75/MMBtu (+24% trimestral). A nafta recuou para US$ 520/t (-17% anual), oferecendo alívio relativo para crackers integrados, o que sugere que produtores com flexibilidade de matéria-prima podem ganhar competitividade no próximo ciclo.
A demanda doméstica mostrou fraqueza, com a construção civil puxando queda de 7% na demanda de PVC no Brasil. A cadeia de transformação opera em modo defensivo, com redução de compras spot e foco em reposição just-in-time, embora estoques baixos ao longo da cadeia possam gerar picos de demanda pontuais em 2026 se houver recuperação de confiança.
Como potencial alívio estrutural, o PRESIQ (Lei nº 15.294/25) e o REIQ (LC nº 228/2026) podem reduzir custos operacionais em 3% a 5% para produtores qualificados a partir de 2027, com o benefício do REIQ majorado de 0,73% para 5,8% em março de 2026.
Por fim, a provisão para eventos geológicos em Alagoas foi atualizada para R$ 3,5 bilhões em dezembro/2025 (-7% vs setembro/25), com 99,9% das compensações financeiras pagas, mas o tema permanece como fator de incerteza para investimentos de longo prazo no polo nordestino.
Autoral GlobalKem | 01 de Abril de 2026