
A indústria química da União Europeia segue em trajetória frágil, mesmo após sinais pontuais de melhora no início de 2026. Segundo o relatório Chemical Trends Q1 2026, divulgado pelo Cefic, a demanda ainda permanece fraca, a produção segue em queda e os custos de energia continuam pressionando a competitividade dos produtores europeus.
De acordo com a entidade, a utilização da capacidade instalada da indústria química europeia permanece em torno de 74%, abaixo da média histórica do setor. No primeiro trimestre de 2026, a produção química da UE recuou 3,2% na comparação anual, com maior pressão sobre químicos orgânicos básicos, polímeros e intermediários.
O Cefic também aponta que, entre janeiro e abril de 2026, os preços do gás natural na Europa ficaram 3,3 vezes acima dos níveis observados nos Estados Unidos, mantendo uma desvantagem estrutural para segmentos mais intensivos em energia. Esse cenário limita a recuperação da produção, reduz investimentos e amplia a pressão competitiva frente a outras regiões produtoras.
No comércio exterior, as exportações químicas da UE caíram € 4,6 bilhões, enquanto as importações recuaram € 4,8 bilhões no início de 2026. Apesar de o superávit comercial ter aumentado levemente, o Cefic avalia que o resultado reflete mais a retração da demanda interna do que uma recuperação efetiva da competitividade europeia.
Para o mercado brasileiro, o cenário europeu exige atenção. Uma indústria química europeia operando abaixo da média histórica pode afetar a disponibilidade e a formação de preços de produtos importados, especialmente básicos, intermediários, polímeros e especialidades. Além disso, custos energéticos elevados e incertezas comerciais podem manter o mercado global de químicos industriais mais volátil ao longo de 2026.
Adaptada GlobalKem | 01 de julho de 2026