
A Indonésia está avaliando estratégias para desenvolver produção doméstica de Enxofre como parte de seu plano para consolidar uma cadeia integrada de suprimento de baterias para veículos elétricos, movimento que pode reconfigurar fluxos globais de insumos químicos e influenciar a precificação. Para o mercado brasileiro de insumos químicos industriais, essa dinâmica é relevante: a Indonésia é um dos maiores produtores de níquel do mundo, e o processo hidrometalúrgico HPAL (High Pressure Acid Leach) (amplamente utilizado para extração de níquel e cobalto de minérios lateríticos) consome entre 4 e 6 toneladas de Ácido Sulfúrico por tonelada de metal produzido, criando demanda incremental por Enxofre, matéria-prima base para produção de Ácido Sulfúrico via processo de queima.
A holding estatal de mineração MIND ID afirmou que o Enxofre poderia ser extraído de subprodutos do processamento de cobre e do ouro, incluindo óxido e sulfato de ferro, e convertido em Enxofre ou Ácido Sulfúrico para uso industrial, além disso, afirmou que a Indonésia ainda importa mais de 70% de suas necessidades de Enxofre, com importações anuais chegando a cerca de 5,3 milhões de toneladas.
O mecanismo de transmissão é direto: o Enxofre é produzido predominantemente como subproduto do refino de petróleo e do processamento de gás natural ácido. Países com expansão agressiva de capacidade de processamento de gás ou refino, tendem a gerar volumes incrementais de Enxofre recuperado. A Indonésia, contudo, possui limitada capacidade doméstica de recuperação de Enxofre, dependendo historicamente de importações para atender demanda industrial. O desenvolvimento de rotas de produção ou recuperação de Enxofre no arquipélago indonésio poderia reduzir dependência de importações para sua cadeia de baterias, mas também liberar volumes de Ácido Sulfúrico para outros mercados, influenciando a precificações.
Autoral GlobalKem | 24 de junho de 2026