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Segurança de suprimento na indústria química brasileira

A busca por maior autonomia econômica e industrial tornou-se tema central para a indústria química brasileira, conforme destacado pelo presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, durante participação no XIV Fórum de Lisboa, realizado em junho de 2026. A reflexão “o pior preço é o preço de não ter o produto”, proferida pelo executivo, sintetiza um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil em um cenário marcado pela reorganização das cadeias produtivas globais, pela disputa acirrada por recursos estratégicos e pela necessidade de fortalecer a capacidade doméstica de produzir e processar insumos críticos.

O Brasil depende majoritariamente de importações para suprir demandas de produtos químicos, mas essa dependência de fornecedores externos torna-se crítica em momentos de tensão geopolítica, como a que andamos observando. O fortalecimento da capacidade produtiva doméstica passa pelo desenvolvimento de cadeias integradas que agreguem valor a recursos naturais estratégicos. O Brasil possui reservas significativas de bauxita, fosfato, nióbio e terras raras, mas ainda exporta grande parte desses minérios em forma bruta ou semi-processada. A produção doméstica de Sulfato de Alumínio a partir de bauxita nacional, por exemplo, consome Ácido Sulfúrico derivado de Enxofre importado.

Adicionalmente, marcos legais e programas estruturantes aprovados nos últimos anos pelo Congresso Nacional, voltados ao fortalecimento da indústria, à sustentabilidade e ao desenvolvimento de setores estratégicos como minerais críticos, hidrogênio de baixa emissão de carbono, combustíveis renováveis e química sustentável, criam um ambiente favorável para investimentos em capacidade produtiva doméstica . Para a cadeia de cloro-álcalis, por exemplo, a produção de hidrogênio como coproduto da eletrólise do sal pode ser aproveitada para síntese de Peróxido de Hidrogênio ou para processos de hidrogenação, criando sinergias que melhoram a eficiência econômica e ambiental das plantas.

A indústria química e a manufatura avançada ocupam posição central nesse processo de reindustrialização estratégica. Além de viabilizarem o desenvolvimento tecnológico em setores como energia, saúde, mobilidade, defesa e transição energética, são habilitadoras de cadeias de valor em segmentos de alto impacto econômico. Isso significa que produtos como Soda Cáustica, Ácido Sulfúrico, Cloro, coagulantes, polímeros e refratários não são commodities genéricas, mas insumos críticos cuja disponibilidade e competitividade influenciam diretamente a resiliência de setores estratégicos da economia brasileira.

Autoral GlobalKem | 11 de junho de 2026

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