Mercado

Conflitos elevam custos da cadeia química global e pressiona importações de soda cáustica e polímeros no Brasil 

O anúncio da Lanxess, do dia 19 de março de 2026, sobre o repasse de preços devido aos efeitos do conflito no Irã sinaliza um movimento estrutural que pode atingir a cadeia de insumos químicos industriais no Brasil. Embora a empresa seja focada em químicos especiais, os drivers de custo citados, como energia, cloro e logística, são compartilhados com produtores de commodities como soda cáustica, cloro, polímeros e ácido sulfúrico. 

O mecanismo de transmissão mais direto ocorre via custo energético, a produção de soda cáustica e cloro por eletrólise do sal torna o setor altamente sensível ao preço da eletricidade. Produtores europeus da Espanha e Bélgica, que juntos respondem por parte das importações brasileiras de soda cáustica, operam em mercados onde o gás natural e a eletricidade sofreram alta significativa. Se esses produtores repassarem integralmente o aumento de custos, o preço pode vir ficar em alta. 

A logística representa o segundo canal de impacto, com o fechamento do Estreito de Ormuz, que concentra boa parte do comércio global de petróleo e rotas químicas associadas, qualquer restrição à navegação eleva prêmios de frete e seguro para exportações do Oriente Médio.  Dessa forma a cadeia de polímeros também está exposta, PE, PP e PVC derivam de olefinas produzidas a partir de nafta, cujo preço acompanha o Brent. 

O cloro, embora não seja comercializado diretamente pela Lanxess, aparece como insumo crítico em seus processos de químicos especiais. A empresa adquire cloro para produção de intermediários. Se a demanda competitiva por cloro se intensificar no mercado europeu, isso pode tensionar a oferta global e afetar marginalmente produtores integrados no Brasil, que operam com paridade de importação. 

Autoral GlobalKem | 24 de novembro de 2026 

Etiquetas
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
Fechar