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A escalada do petróleo e o alerta da Abiquim: MEG, enxofre e ácidos sob pressão

A recente disparada do Brent, que rompeu a marca dos US$ 82 nesta semana impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, acende um alerta vermelho na cadeia de suprimentos. Como já advertido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a combinação de volatilidade cambial e alta do barril ameaça encarecer significativamente os custos de produção e a logística do setor nacional.

Na ponta petroquímica, insumos como o MEG (Monoetilenoglicol) sofrem impacto imediato. Com a nafta e o gás natural encarecendo, o custo dos derivados salta, espremendo as margens das indústrias de resinas e poliuretanos, que já calculam o tamanho do repasse para o mercado.

O efeito dominó atinge em cheio a cadeia de inorgânicos. O enxofre, subproduto crucial do refino de petróleo, tem sua oferta atrelada às refinarias globais e ao frete marítimo, afetados pela crise. Consequentemente, o ácido sulfúrico entra no radar de risco para encarecimento estrutural. Sendo o pilar para a produção de ácido fosfórico e fertilizantes, qualquer solavanco no enxofre se traduz em custos maiores para a indústria e o agronegócio.

Até insumos de base mineral, como a cal (óxido de cálcio), não escapam da instabilidade. Por exigir fornos de alto consumo térmico e logística rodoviária pesada, o custo da cal entregue tende a subir rapidamente assim que a defasagem nos preços do diesel for repassada aos fretes, um cenário de pressão adicional que corrobora as preocupações da Abiquim.

Autoral GlobalKem | 09 de março 2026

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