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INCC-M de abril de 2026: variação de custos na construção civil influencia demanda por insumos químicos industriais

O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou variação positiva em abril de 2026, refletindo pressões sobre preços de materiais, mão de obra e equipamentos no setor da construção civil. O movimento tem implicações diretas para a cadeia de insumos químicos industriais cuja demanda está vinculada a ciclos de investimento em infraestrutura habitacional, comercial e de saneamento. 

O PVC (Policloreto de Vinila), aplicado em tubos, conexões, eletrodutos e esquadrias, representa parcela relevante do custo de instalações hidráulicas e elétricas em edificações, de modo que pressões sobre preços de resinas termoplásticas, influenciadas por custos de etileno, cloro e energia, podem se propagar para o índice de materiais de construção. Tintas e revestimentos, por sua vez, dependem de dióxido de titânio (pigmento), solventes e aditivos, sendo que o dióxido de titânio consome ácido sulfúrico em seu processo de produção via rota sulfato, expondo a cadeia de tintas a movimentos de custo do enxofre e do ácido. Adesivos e selantes, à base de polímeros acrílicos, silicones e poliuretanos, são essenciais para montagem e vedação em obras, e pressões sobre custos de monômeros e intermediários petroquímicos podem influenciar a precificação desses compostos.  

A cal, nas formas virgem e hidratada, insumo crítico para produção de argamassas, rebocos e estabilização de solos, também integra a cesta de materiais monitorada pelo INCC-M, com consumo estimado em cerca de 12 milhões de toneladas/ano no Brasil, parcela significativa destinada à construção civil. 

Além dos materiais aplicados diretamente em edificações, o INCC-M reflete custos de infraestrutura de saneamento, como redes de abastecimento de água e coleta de esgoto, contexto no qual coagulantes para tratamento de água, como sulfato de alumínio e PAC (Policloreto de Alumínio), que têm demanda sensível a ciclos de investimento em obras públicas e loteamentos. O sulfato de alumínio é produzido pela reação de bauxita ou hidróxido de alumínio com ácido sulfúrico, de modo que pressões sobre custos de ácido sulfúrico podem se propagar para a precificação do coagulante. 

 O PAC, produzido a partir de ácido clorídrico, compete com sulfato de alumínio em aplicações de saneamento; assim, movimentos de preço em um dos insumos podem influenciar a especificação técnica e a estratégia comercial do outro no mercado brasileiro. 

A variação do INCC-M em abril de 2026 ocorre em um cenário de custos energéticos elevados e volatilidade logística global, com reajustes tarifários de energia elétrica. Adicionalmente, tensões geopolíticas no Oriente Médio sustentam prêmios de frete e seguro para importações de insumos como enxofre, influenciando o custo de embarque de matérias-primas.  

Para o mercado de insumos químicos industriais, a evolução do INCC-M serve como indicador antecedente de demanda por produtos vinculados à construção civil, e uma trajetória de custos ascendente pode sinalizar repasse de preços ao longo da cadeia ou compressão de margens para produtores que não conseguem transferir integralmente os aumentos de custo. 

Autoral GlobalKem | 28 de abril de 2026

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