China reforça controle da oferta e redefine o papel do carvão para 2026
O mercado de carvão da China encerrou 2025 com uma mudança estrutural clara: menos foco em volume e mais controle regulatório, eficiência e direcionamento do uso. O carvão permanece essencial para a segurança energética do país, mas passa a operar sob regras mais rígidas, com impacto direto sobre produção, consumo e fluxo comercial.
Em julho, a Administração Nacional de Energia (NEA) iniciou inspeções nacionais contra mineradoras que produziram acima da capacidade licenciada. Operações que excederam em mais de 10% o limite autorizado tiveram atividades suspensas. A medida reduziu o excesso de oferta observado no primeiro semestre e consolidou um ambiente de maior disciplina produtiva, com expectativa de continuidade em 2026.
Mesmo com fiscalização, a produção total seguiu elevada. Entre janeiro e novembro de 2025, a China produziu 4,4 bilhões de toneladas de carvão, enquanto a geração térmica recuou 0,7%, no primeiro declínio anual desde 2015. Na prática, o país produziu mais carvão do que consumiu para energia, reforçando a necessidade de gestão rigorosa de estoques e contratos.
No comércio exterior, a estratégia foi reduzir dependência externa. As importações caíram 12% no acumulado até novembro, sustentadas por ampla oferta doméstica. Ao mesmo tempo, a China manteve barreiras comerciais relevantes, como a tarifa total de 28% sobre carvão coqueificável dos EUA, mantendo esse fluxo praticamente inexistente.
Em dezembro, a NDRC (Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China) elevou os padrões de uso “limpo e eficiente” do carvão para 2026. A atualização acelera a retirada de capacidade menos eficiente e tende a direcionar carvão de melhor qualidade para usos de maior valor agregado, como carvão de matéria-prima industrial (produz ureia, olefinas e algumas resinas). Com isso, o risco para 2026 não está no volume total disponível, mas sim na disponibilidade de carvão maior qualidade para siderurgia e geração.
Indicadores operacionais de dezembro confirmaram esse movimento. A produção diária de carvão coqueificável caiu nas principais minas monitoradas, refletindo paradas por quota anual e inspeções de segurança.
Autoral GlobalKem | 08 de janeiro 2026