A economia brasileira desacelerou no segundo trimestre de 2025, refletindo principalmente os efeitos do elevado patamar da taxa de juros, o mais alto em quase 20 anos. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% frente ao trimestre anterior, após avanço de 1,3% nos primeiros três meses do ano.
Pela ótica da produção, a Agropecuária recuou 0,1%, a Indústria avançou 0,5%, com destaque para as Indústrias Extrativas (5,4%), e os Serviços cresceram 0,6%. Perante a demanda, o Consumo das Famílias subiu 0,5%, sustentado pelo mercado de trabalho e aumento da renda, enquanto o Consumo do Governo caiu 0,6% e os investimentos recuaram 2,2%. No setor externo, as exportações cresceram 0,7%, enquanto as importações caíram 2,9% em meio à demanda interna mais fraca.
A Construção Civil, fortemente dependente de crédito, registrou retração de 0,2% no trimestre, após queda de 0,6% no início do ano. Mesmo com a geração de 177,3 mil empregos formais entre janeiro e julho, o ritmo desacelerou e os empresários seguem apontando os juros elevados como o principal entrave ao setor. No mercado imobiliário, os lançamentos cresceram 6,8% e as vendas avançaram 9,6% no semestre, com destaque para o Minha Casa, Minha Vida (+25,8%). Porém, o crédito via SBPE encolheu 10,4%, com forte queda de 54,2% no financiamento à produção.
Apesar do nível ainda elevado de atividade e geração de empregos, os sinais de desaceleração já são claros. As expectativas seguem cautelosas, uma vez que projeções indicam manutenção da taxa de juros em patamares elevados nos próximos anos, com possibilidade de retorno ao nível de 10% apenas em 2028.
Adaptado GlobalKem | 04 de setembro de 2025