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O comércio de alumínio da China: produção elevada, importações necessárias e exportações em expansão

Em 2024, a China reforçou a sua posição de liderança como o maior produtor e consumidor mundial de alumínio, com um registo de produção de aproximadamente 43 milhões de toneladas de alumínio primário, representando mais de metade da oferta global. Apesar deste volume substancial, o país importou mais de 3 milhões de toneladas, principalmente da Rússia, ao mesmo tempo que exportou aproximadamente 6 milhões de toneladas de produtos semimanufaturados, consolidando-se como o principal fornecedor de alumínio de valor agregado no comércio internacional.

Este movimento, reflete fatores estruturais e conjunturais. Desde 2021, o governo chinês estabeleceu um limite anual de 45 milhões de toneladas para a produção de alumínio primário, no âmbito das metas de redução de emissões e consumo energético. Dado que a produção se aproxima do limite, há pouco espaço para expansão adicional sem comprometer os compromissos ambientais.

Entretanto, a procura interna continua a apresentar um crescimento sustentado. O alumínio é um elemento crucial na transição energética chinesa e em setores estratégicos. A produção de veículos elétricos ultrapassou os 9 milhões de unidades em 2024, com cada automóvel a consumir entre 250 e 400 quilogramas do metal. Os projetos de energia solar fotovoltaica excederam os 300 GW em termos de capacidade, o que exigiu a implementação de estruturas e cabos de alumínio. A indústria da construção civil, apesar da instabilidade no mercado imobiliário, continua a absorver volumes significativos, tal como o setor ferroviário de alta velocidade.

No plano regional, os preços do alumínio permaneceram estáveis, situando-se em torno de 2615 dólares americanos por tonelada. Esta estabilidade foi sustentada por uma redução significativa dos inventários da London Metal Exchange (LME) na Malásia. Em apenas dois dias, foram retiradas quase 100 mil toneladas, diminuindo a disponibilidade imediata e reforçando a perceção de uma oferta ajustada. O movimento foi associado a necessidades sazonais de fabricantes asiáticos e à procura de traders de garantir o fornecimento físico num ambiente de incerteza.

Para além do fator de existências, outros elementos contribuem para a sustentação dos preços: custos de energia, que representam até 40% do processo de fundição; restrições ambientais, que limitam a expansão da produção em diferentes regiões; e atrasos logísticos, que afetam o fluxo internacional do metal. Estes aspetos contribuem para a manutenção de um equilíbrio frágil entre a oferta e a procura, reforçando a dependência da China de importações estratégicas, apesar de ser líder global na produção.

Autoral GlobalKem | 16 de setembro de 2025

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GlobalKem
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