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Mercado automotivo brasileiro com vendas resilientes, mas produção recua com queda nas exportações em fevereiro de 2026

O mercado automotivo brasileiro registrou desempenho misto no primeiro bimestre de 2026, com vendas internas resilientes e produção impactada pela retração das exportações, segundo dados da Anfavea divulgados em março de 2026. A produção acumulada recuou 8,9%, atingindo 338 mil autoveículos.

Fevereiro de 2026 registrou média diária de vendas de 10,3 mil unidades, a segunda melhor média para o mês nos últimos 10 anos. O desempenho positivo de automóveis e comerciais leves, com alta de 18% nos emplacamentos do bimestre frente a 2025, tende a sustentar a demanda por insumos químicos industriais aplicados na cadeia automotiva, como polímeros (PE, PP, PVC), adesivos, tintas, solventes e compostos de borracha sintética.

O segmento de veículos eletrificados (híbridos e elétricos) apresentou crescimento expressivo: 28.120 unidades emplacadas em fevereiro, representando 15,9% do total de veículos leves, com participação de modelos fabricados no Brasil atingindo 43% desse volume, que é a maior marca da série histórica da Anfavea. A produção nacional de eletrificados, demanda insumos específicos, como polímeros de engenharia para componentes de baterias, compostos isolantes e materiais leves para ganho de eficiência energética.

Apesar do bom ritmo de vendas domésticas, a produção industrial recuou no primeiro bimestre, puxada pela queda de 28% nas exportações, que totalizaram 59,4 mil unidades. A retração foi concentrada no mercado argentino, principal destino de veículos brasileiros, o que impacta diretamente a demanda por insumos químicos aplicados em veículos destinados à exportação.

O segmento de caminhões e ônibus enfrentou dificuldades no bimestre, com vendas recuando 29,4% frente aos dois primeiros meses de 2025, embora fevereiro tenha registrado alta de 4,5% sobre janeiro. A perspectiva de recuperação está vinculada ao programa Move Brasil, de incentivo à renovação de frota, que já liberou mais de R$ 4 bilhões em financiamentos pelo BNDES para troca de modelos antigos por seminovos ou 0 km.

A renovação de frota pesada tende a aquecer a demanda por insumos químicos aplicados em componentes de longa duração, como polímeros de alta resistência, compostos anticorrosivos, fluidos hidráulicos e lubrificantes industriais. A combinação de vendas internas resilientes e produção ajustada às exportações sugere que a demanda por esses insumos deve se manter estável no curto prazo, com potencial de aceleração caso o programa Move Brasil ganhe tração no segmento de pesados e a produção de eletrificados nacionais continue expandindo.

Adaptado GlobalKem | 23 de abril de 2026

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ANFAVEA
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