Fechamento de unidades em Cubatão reduz capacidade de insumos críticos e pressiona mercado químico
Duas unidades industriais no polo químico de Cubatão, no litoral de São Paulo, encerraram ou suspenderam parte de suas operações, reduzindo a capacidade produtiva de insumos estratégicos no Brasil. Uma das plantas da petroquímica Unigel interrompeu atividades de estireno e tolueno em dezembro de 2025, concentrando parte da produção em outra unidade em Guarujá, citando mercados fracos e excesso de oferta global no setor petroquímico. Em paralelo, a Yara Brasil suspendeu produção de fertilizantes fosfatados e de ácido sulfúrico em suas plantas de Cubatão e Paulínia ao longo de 2025, com conclusão realizada no terceiro trimestre de 2025, enquanto mantém operações de fertilizantes nitrogenados.
Os desligamentos ocorrem em um momento em que a indústria química nacional enfrenta níveis historicamente elevados de ociosidade e queda de produção. No primeiro trimestre de 2025, a utilização média da capacidade instalada ficou em cerca de 62%, com ociosidade em 38 %, o pior resultado em décadas segundo dados setoriais, refletindo retração na produção, vendas e consumo aparente de químicos industrial, além de forte concorrência de importados e custos elevados de energia e gás natural.
A redução de capacidade em polos integrados como Cubatão tem implicações diretas sobre a oferta de insumos químicos básicos e intermediários usados em múltiplas cadeias industriais. Produtos que dependem de intermediários petroquímicos podem ter sua produção local reduzida, aumentando gradualmente a necessidade de importações para atender à demanda interna. A dependência externa tende a elevar a exposição do mercado brasileiro às flutuações de preço internacional e prazos de entrega, principalmente em períodos de recuperação da demanda global.
O contexto é agravado pela indefinição sobre o futuro do Regime Especial da Indústria Química (Reiq), regime tributário que reduz impostos sobre matérias-primas petroquímicas e intermediárias e que vinha sustentando parte da competitividade da produção doméstica. A proposta de substituição pelo Presiq, prevista para 2026, sofreu vetos sem criação de regra de transição entre os regimes, gerando um vazio regulatório que dificulta decisões de investimento e planejamento de longo prazo em um setor intensivo em capital.
Essa combinação de menor capacidade produtiva, ociosidade elevada e ambiente regulatório incerto tende a pressionar o mercado nacional de químicos ao longo de 2026. Para empresas que dependem de insumos estratégicos como ácido sulfúrico, cloro, hipoclorito de sódio, polietilenos e intermediários industriais a oferta tenderá a se tornar mais sensível a fatores externos, elevando a importância de estratégias de diversificação de fornecedores e de adaptação produtiva.
Autoral GlobalKem | 28 de janeiro 2026