As exportações chinesas de Ácido Sulfúrico para Brasil e Chile têm demonstrado resiliência diante das restrições comerciais impostas por Pequim desde maio de 2026, mantendo fluxos críticos de abastecimento em um contexto de crise de oferta que pressiona preços e disponibilidade de insumos químicos industriais na América do Sul. Para o mercado brasileiro, essa dinâmica representa um sinal importante de que rotas estratégicas de suprimento podem ser preservadas mesmo em cenários de restrição, embora com custos logísticos e prêmios de preço que exigem gestão proativa por parte de compradores e operadores.
A China, maior produtora global de Ácido Sulfúrico com capacidade superior a 110 milhões de toneladas/ano, anunciou em maio de 2026 restrições às exportações do insumo, medida motivada por prioridades de abastecimento doméstico e estratégia de retenção de recursos críticos. Contudo, dados de comércio indicam que embarques para destinos sul-americanos como Brasil e Chile continuaram em volumes reduzidos, porém relevantes, sugerindo que exceções contratuais, compromissos de longo prazo ou classificações específicas de produto podem ter permitido a manutenção parcial desses fluxos.
A resiliência das exportações chinesas para a América do Sul também reflete a importância de contratos de longo prazo e relacionamentos comerciais consolidados. Compradores brasileiros e chilenos que mantiveram compromissos de fornecimento com produtores chineses antes da implementação das restrições podem ter garantido continuidade de suprimento via cláusulas de força maior, exceções regulatórias ou priorização de embarques para mercados com histórico de conformidade.
Adicionalmente, a logística de transporte de Ácido Sulfúrico, que é um produto classificado como corrosivo (classe 8 de produtos perigosos), exigindo tanques especializados, manuseio por equipes treinadas e infraestrutura portuária adequada, representa um fator limitante para a expansão rápida de rotas alternativas. O Porto de Santos, principal porta de entrada de insumos químicos no Brasil, opera em capacidade elevada em 2026, com movimentação recorde de cargas agrícolas e industriais. A combinação de restrições de oferta, demanda sazonal e gargalos logísticos pode tensionar prazos de entrega e elevar prêmios de frete para Ácido Sulfúrico importado, impactando o custo final para consumidores industriais.
Para a cadeia de fosfatados, produzidos via reação de rocha fosfática com Ácido Sulfúrico, a disponibilidade de ácido importado influencia margens de produção e estratégia de precificação no mercado doméstico. A resiliência das exportações chinesas de Ácido Sulfúrico para Brasil e Chile em meio a restrições comerciais ilustra a complexidade de cadeias de suprimento globais em um contexto de competição por recursos estratégicos.
Adaptado GlobalKem | 24 de junho de 2026