Mercado

Balança comercial brasileira inicia 2026 com superávit de US$ 4,3 bilhões impulsionado pela China

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro de 2026, o que representa um crescimento de US$ 2 bilhões em comparação ao mesmo período de 2025. Esse desempenho positivo foi sustentado, em grande parte, pela recuperação do saldo comercial com a China, que reverteu um déficit anterior para um saldo positivo de US$ 717,7 milhões. A União Europeia também apresentou uma contribuição relevante, elevando seu superávit de US$ 98,5 milhões para US$ 308,4 milhões. Em contrapartida, o comércio com os Estados Unidos viu seu déficit saltar de US$ 221,6 milhões para US$ 668,4 milhões, enquanto o superávit na América do Sul sofreu uma queda pressionada pela redução nas trocas comerciais com a Argentina.

O crescimento do superávit em janeiro é explicado prioritariamente pelo recuo de 9,8% no valor das importações, que registraram uma queda de 12% em volume. As exportações, por sua vez, apresentaram uma leve retração de 0,7% no volume e estabilidade no valor, reflexo de uma economia que deve crescer menos em 2026. Geograficamente, a China e os demais países da América do Sul (exceto Argentina) foram os únicos a registrar aumento no volume exportado, com altas de 14,1% e 15,2%, respectivamente. Já o mercado norte-americano registrou um recuo expressivo de 25,5% no valor das vendas brasileiras.

No detalhamento por setores, a agropecuária liderou o crescimento em valor com uma alta de 9,8%, impulsionada pelo avanço de 3,1% no volume e preços 7,1% mais altos. O café, principal produto do setor, registrou aumento de 32,6% em valor, apesar da queda no volume exportado, enquanto o milho e a soja tiveram saltos no volume de 18,2% e 75,5%, respectivamente. Na indústria extrativa, o destaque foi o petróleo bruto, que teve aumento de 13,3% no volume, compensando a queda de 18,2% em seus preços. Já a indústria de transformação viu seu valor recuar 1,9%, embora produtos como ouro não monetário e aeronaves tenham apresentado crescimentos robustos em valor de 102,9% e 63,6%, respectivamente.

O cenário para o restante de 2026 permanece pautado pela incerteza geopolítica e pelos efeitos das políticas econômicas dos Estados Unidos sob a administração Trump. O “efeito Trump” é nítido na volatilidade cambial e na manutenção de um “tarifaço” sobre manufaturas brasileiras. O mercado agora aguarda o possível encontro entre os presidentes Lula e Trump, agendado para março, que pode definir a retirada de barreiras comerciais, que atualmente estão em 15%, sendo a tarifa global por parte dos EUA.

Adaptado GlobalKem | 24 de fevereiro 2026

Fonte
FGV
Etiquetas
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
Fechar