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Volatilidade, valor e visibilidade: nova estratégia para químicos no Brasil

A indústria química global opera em 2026 sob um regime de “nova normalidade”: volatilidade de custos, disrupções logísticas recorrentes e pressão em cadeias de suprimento. Para o mercado brasileiro esse cenário exige repensar estratégias e riscos para produtos, uma vez que a volatilidade tem se tornado rotineiro, tensões no Oriente Médio, restrições de oferta e transição energética criaram oscilações sem precedentes. O Enxofre CFR Brasil, por exemplo, registrou cotações acima de US$ 700/t em 2026, afetando diretamente o custo do Ácido Sulfúrico, que por cadeia impacta a precificação de Sulfato de Alumínio, Ácido Fosfórico, entre outros.

Em cenários voláteis, o conceito de “valor” na aquisição de insumos vai além do preço por tonelada. Fatores como confiabilidade, qualidade consistente e alinhamento ESG tornam-se diferenciais competitivos que justificam preço. Na cadeia de cloro-álcalis, por exemplo, a produção de Soda Cáustica e Cloro via eletrólise do sal consome entre 2.200 e 2.700 kWh por tonelada de produto, produtores com acesso à energia renovável ou contratos de longo prazo com tarifas estáveis podem oferecer preços mais previsíveis, criando valor para compradores que priorizam orçamento estável sobre o menor preço spot.

Para a cadeia de coagulantes, a qualificação de múltiplos fornecedores de bauxita e Ácido Sulfúrico, combinada com validação técnica de eficiência de coagulação em testes de bancada, oferece segurança operacional para operadoras de ETA que enfrentam turbidez variável em mananciais.

A visibilidade sobre fluxos de oferta e logística tornou-se um ativo estratégico. Para o Brasil, que importa aproximadamente 85% do Enxofre consumido domesticamente e complementa oferta de Soda Cáustica e polímeros via importações, interrupções no Estreito de Ormuz, greves portuárias ou eventos climáticos extremos podem atrasar a reposição de estoques e elevar prêmios de frete e seguro, exigindo que compradores mantenham cobertura estratégica. A prioridade passa a ser garantir continuidade de suprimentos, alinhando estratégia de compras a um cenário de volatilidade estrutural.

Autoral GlobalKem | 03 de junho de 2026

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