Entrevistas

Milton Rego, presidente-executivo da Abiclor, fala sobre a indústria de cloro-álcalis no Brasil

Milton Rego, presidente-executivo da Abiclor, fala sobre a indústria de cloro-álcalis no Brasil. Em entrevista ao Globalkem, esclarece o papel da associação e apresenta um panorama do setor no mercado nacional.

Qual o papel da Abiclor (Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados) na defesa dos interesses das produtoras de cloro-soda instaladas no país?

A Abiclor tem pautado a sua atuação pela defesa de uma política industrial que assegure maior competitividade, fomentando o desenvolvimento do setor de cloro-álcalis, sem perder de vista o desempenho socioambiental e o seu compromisso com a sustentabilidade. A missão da Abiclor é desenvolver, divulgar e promover as melhores práticas de segurança, meio ambiente, saúde e qualidade, na produção, distribuição, transporte e manuseio seguros dos produtos e dos seus benefícios para a sociedade. A contribuição do setor para o desenvolvimento econômico e social brasileiro vai muito além da geração de renda, empregos e impostos. A indústria de cloro-álcalis acompanha os avanços técnicos mundiais, operando dentro dos mais altos padrões de segurança, saúde, qualidade e respeito ao meio ambiente.

Os problemas logísticos, aumento com os custos de energia, bem como altas nos preços das commodities têm impactado diversos insumos nos últimos anos. Como a indústria de cloro-álcalis vem enfrentando estes desafios? Quais são as perspectivas para o futuro?

A questão da energia é fundamental para o nosso setor. A energia é um preço que está embutido em todos os produtos, até em alimentos ou na água que bebemos, por exemplo. Mas para as indústrias eletrointensivas, como a de cloro-álcalis,  papel, aço, alumínio, vidro, refino de petróleo e fertilizantes, é a diferença entre ser competitivo ou não.

E essa competitividade se difunde na economia – ter insumos competitivos para os setores a jusante da indústria química é a diferença entre comprar um produto nacional ou importar.

Já o desbalanceamento nas cadeias globais, devido a guerra na Ucrânia e os lockdowns chineses, afetam toda a economia de uma forma mais generalizada. Como os insumos da nossa indústria são em sua maioria nacionais, o impacto mais sentido é do aumento de custos dos bens tradeables.

A soda cáustica é utilizada em indústrias de grande porte em diversos segmentos como o de papel e celulose, alumínio, química, petroquímica, sabão e detergentes, têxtil, alimentos, bebidas, embalagens e tratamento de água. No entanto, as produtoras que atuam em território nacional não são capazes de atender toda a demanda brasileira. Existem perspectivas de aumento na oferta de soda cáustica para o mercado nos próximos dois anos?

A produção de cloro e soda cáustica é inflexível, no sentido de que, a partir das matérias-primas, a relação entre os dois é quase invariável. Temos no Brasil um mercado que consome mais soda do que cloro, que é o perfil de países em desenvolvimento nos quais os produtos da química do cloro e o próprio cloro tem uma demanda per capita muito baixa, cerca de 25% do consumo dos USA ou Europa.

Assim, a produção de soda fica limitada pelo consumo do cloro e derivados. Com a expansão do consumo do cloro, em função de um maior crescimento do PIB e da ampliação do saneamento básico, podemos vislumbrar um mercado mais alinhado com os países desenvolvidos. Nesse momento o Brasil seria autossuficiente em soda cáustica.

Além da soda cáustica, amplamente utilizada no setor de papel e celulose, o cloro tem a fabricação de PVC como sua principal aplicação industrial. No mercado nacional, qual o tamanho do mercado desses produtos? Há expectativa de aumento da demanda nos próximos anos?

O mercado doméstico de cloro é de 943,3 mil toneladas e o de soda 2.605,3 mil toneladas (números do setor em 2021).

Nos últimos 5 anos a demanda de cloro caiu 5,5% a.a e a de soda, se manteve estável.

O cloro e a soda são insumos para uma miríade de produtos. Estão presentes na agricultura, saneamento, tintas, fármacos, siderurgia, indústria têxtil, plásticos, química e petroquímica, papel e celulose, entre outros. Assim, o principal drive de crescimento é a expansão da economia e da renda das famílias. Além disso, a universalização do saneamento e da água tratada é outro fator de aumento da demanda.

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