Bandeira amarela mantém pressão sobre cloro-álcalis
Após ser acionada em maio, a bandeira tarifária amarela será mantida em junho, reforçando a atenção sobre o custo da energia no Brasil. A ANEEL havia confirmado em 24 de abril a mudança para a bandeira amarela no mês de maio e, em 29 de maio, informou que a cobrança adicional permanecerá no mês seguinte, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Segundo a agência, a decisão ocorre em razão do período seco, da menor geração hidrelétrica e do maior acionamento de termelétricas, que possuem custo mais elevado.
Para a indústria química, esse movimento é relevante principalmente na cadeia de cloro-álcalis, base para a produção de Soda Cáustica, Cloro e hidrogênio por meio da eletrólise da salmoura. Por ser um processo fortemente eletrointensivo, em que a energia elétrica pode representar quase metade do custo total de produção, variações no custo da eletricidade tendem a ter impacto direto sobre a competitividade do setor.
O impacto também pode se estender a derivados usados em saneamento, tratamento de água e aplicações industriais, como Hipoclorito e Ácido Clorídrico. Ainda que a bandeira amarela não indique, isoladamente, uma redução da disponibilidade, ela funciona como um sinal de pressão de custo para fabricantes que operam com alto consumo energético e margens dependentes da eficiência operacional.
Para a cadeia de abastecimento, o ponto de atenção está na continuidade do período seco e na possibilidade de manutenção de custos energéticos mais elevados ao longo dos próximos meses. Se a pressão sobre a geração hidrelétrica persistir, compradores industriais podem enfrentar maior volatilidade na formação de preços de químicos eletrointensivos.
Autoral GlobalKem | 03 de junho de 2026