Braskem recupera margens no 1º trimestre de 2026 impulsionada por spreads internacionais e benefício do REIQ
A dinâmica financeira e operacional da Braskem registou uma recuperação estrutural no primeiro trimestre de 2026, invertendo a pressão de custos e a compressão de margens observada no final do ano transato. A companhia reportou um lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 275 milhões (cerca de R$ 1,4 mil milhões) e um EBITDA recorrente consolidado de US$ 192 milhões (R$ 1.006 milhões).
Este resultado operacional representa um salto de 76% comparado ao quarto trimestre de 2025, suportado não apenas pela melhoria dos spreads no mercado internacional, mas também por um importante alívio fiscal e tático no mercado interno. No Brasil, o aumento do benefício do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) na aquisição de matérias-primas gerou um impacto positivo direto de US$ 32 milhões (R$ 169 milhões) na redução do Custo dos Produtos Vendidos (CPV).
Para a cadeia de abastecimento e para a indústria de transformação, os indicadores de volume sinalizam um reaquecimento claro. As vendas de resinas no mercado brasileiro cresceram 5% comparado ao trimestre anterior, atingindo as 782 mil toneladas. Este avanço foi impulsionado pelo aumento na procura de polipropileno (PP) para os setores de alimentação, bebidas e higiene, conjugado com um movimento de reposição de estoques por parte dos transformadores. Em paralelo, o spread internacional das resinas avançou 16% (fixando-se em US$ 358/tonelada), garantindo maior elasticidade nas margens operacionais.
No segmento dos Estados Unidos e Europa, a operação também reverteu as perdas e restabeleceu a rentabilidade, com um EBITDA de US$ 21 milhões, beneficiando de um aumento de 6% nos spreads médios de PP e de um crescimento de 3% no volume de vendas. Apesar da forte recuperação nas frentes principais, a operação no México evidenciou a vulnerabilidade logística na base da cadeia petroquímica: a taxa de utilização caiu para 55% (uma retração de 30 pontos percentuais comparado ao trimestre anterior) devido à redução no fornecimento de etano por parte da PEMEX, o que resultou num EBITDA negativo de US$ 15 milhões para a região.
A nível global, a recomposição de estoques e a otimização de acordos de pagamento com fornecedores e instituições financeiras levaram a um consumo operacional de caixa na ordem dos R$ 3,2 bilhões no trimestre. Para o mercado, os dados globais da Braskem sugerem uma estabilização da procura por resinas e químicos de base, exigindo que os parceiros de negócio acompanhem de perto a gestão de liquidez e a eficiência logística perante a volatilidade de matérias-primas no exterior.
Adaptado GlobalKem | 21 de maio de 2026