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Europa depende de 2/3 do GNL dos EUA: impacto nos custos energéticos pressiona cadeia química

Segundo relatório do Instituto para a Economia da Energia e Análise Financeira (IEEFA), a Europa importou aproximadamente dois terços de seu gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos nos primeiros meses de 2026, reforçando uma dependência estratégica que tem implicações diretas para a competitividade da indústria química no continente e, por extensão, para os fluxos globais de insumos químicos industriais. Dados da Eurostat e de agências de energia indicam que essa concentração de suprimento, combinada com a volatilidade de preços do gás natural europeu como o TTF, mantem-se custos energéticos elevados para processos industriais intensivos em eletricidade. 

A produção de Soda Cáustica e Cloro via eletrólise do sal é intensiva em energia elétrica, na Europa, onde a matriz elétrica ainda depende significativamente de gás natural para geração termelétrica, a volatilidade de preços do GNL se propaga diretamente para tarifas industriais de eletricidade, comprimindo margens de produtores de Cloro-Álcalis ou exigindo repasse de custos ao longo da cadeia. Dados da Eurochlor indicam que a produção europeia de Cloro registrou retração de 4,4% em março de 2026, com taxa de utilização de capacidade em 64,4%, reflexo de ajustes operacionais frente a custos energéticos elevados. 

A concentração de suprimento de GNL para os EUA adiciona uma camada de risco logístico à equação. Rotas marítimas do Golfo do México para portos europeus como Zeebrugge, Roterdã e Fos-sur-Mer estão expostas a tensões geopolíticas, condições climáticas extremas e gargalos de capacidade em terminais de regaseificação. Interrupções pontuais no fluxo de GNL podem elevar prêmios de frete e seguro, pressionando ainda mais os custos de energia para indústrias eletrointensivas. 

Adicionalmente, o PVC (Policloreto de Vinila), produzido a partir de etileno e Cloro, conecta-se diretamente ao segmento, de modo que, pressões sobre custos de Cloro na Europa podem influenciar a precificação de PVC doméstico e a competitividade frente a volumes importados de origens asiáticas ou norte-americanas. Adicionalmente, o etileno, é produzido via craqueamento de nafta ou etano, processos que também consomem energia térmica e elétrica. A dependência europeia de GNL dos EUA, portanto, afeta não apenas a cadeia de cloro-álcalis, mas também a competitividade de produtores de olefinas e polímeros no bloco. 

Autoral GlobalKem | 21 de maio de 2026 

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