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Tensões no Oriente Médio pressionam custos de insumos químicos para construção civil no Brasil

A escalada do conflito no Oriente Médio já afeta a cadeia de insumos químicos industriais vinculados à construção civil no Brasil, com alta disseminada nos custos de materiais e impacto direto sobre o planejamento de obras e financiamentos imobiliários. Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) mostram que, em abril de 2026, itens essenciais registraram forte valorização: tubos e conexões de PVC (+5%), massa de concreto (+4%), cimento (+3%) e blocos (+1,48%). O movimento reflete, sobretudo, a valorização do petróleo no mercado internacional, que encarece insumos derivados e combustíveis, pressionando também fretes e logística, com reflexo direto no INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção), que subiu 1,04% em abril, após alta de 0,36% em março, acumulando variação superior a 6% em 12 meses. 

Para a cadeia de insumos químicos industriais, a pressão sobre custos tem mecanismos de transmissão claros e mensuráveis. O PVC (Policloreto de Vinila), amplamente aplicado em tubos, conexões, eletrodutos e esquadrias para edificações, é produzido a partir de etileno e cloro, sendo o Cloro obtido por eletrólise do sal, um processo intensivo em energia elétrica. A combinação de petróleo mais caro (que influencia custos de nafta, matéria-prima para etileno) e tarifas de energia elevadas comprime margens de produtores de PVC ou exige repasse de preços ao longo da cadeia, impactando diretamente o custo de instalações hidráulicas e elétricas em obras residenciais e comerciais. 

Adicionalmente, o Ácido Sulfúrico, insumo crítico para produção de dióxido de titânio (pigmento para tintas e revestimentos) e Sulfato de Alumínio (coagulante para tratamento de água), enfrenta pressões de custo originadas na volatilidade do Enxofre elementar, matéria-prima para sua produção. Em abril de 2026, o Enxofre CFR Brasil registra cotações entre os maiores níveis da série histórica, refletindo oferta ajustada e tensões logísticas no Estreito de Ormuz. Essa dinâmica se propaga para a precificação de tintas arquitetônicas (que dependem de TiO₂) e de coagulantes como Sulfato de Alumínio, amplamente utilizado em Estações de Tratamento de Água (ETAs) de novos loteamentos vinculados a programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida. 

O Sulfato de Alumínio é produzido a partir de Bauxita ou Hidróxido de Alumínio com Ácido Sulfúrico, de modo que, pressões sobre custos de Ácido Sulfúrico podem, portanto, influenciar a competitividade de produtores domésticos de Sulfato de Alumínio. A cal, nas formas virgem e hidratada, insumo essencial para produção de argamassas, rebocos e estabilização de solos, também integra a cesta de materiais pressionada pelo cenário de custos energéticos e logísticos elevados. O consumo de cal no Brasil é estimado em cerca de 12 milhões de toneladas/ano, com parcela significativa destinada à construção civil. Reajustes tarifários de energia elétrica impactam processos de calcinação em fornos, enquanto a volatilidade do frete terrestre pressiona a distribuição regional do produto, especialmente para obras em regiões distantes dos polos produtores. 

Para o mercado brasileiro de insumos químicos industriais, a baixa capacidade de estocagem de materiais no setor de construção civil, amplifica a vulnerabilidade a oscilações de preços no curto prazo. Diferentemente de setores com maior flexibilidade de estoque, a construção exige compras constantes, tornando a previsibilidade de custos de PVC, Ácido Sulfúrico, Sulfato de Alumínio e Cal um fator crítico para viabilidade de empreendimentos. 

Autoral GlobalKem | 06 de maio de 2026 

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