Tunísia anuncia plano para expandir produção de fosfato e impacta mercado global de fertilizantes
O governo da Tunísia anunciou em abril de 2026 uma estratégia abrangente para reformar seu setor de fosfato e derivados, com metas ambiciosas de aumentar a produção de 5,5 milhões de toneladas em 2026 para 13,6 milhões de toneladas até 2030. O plano, desenvolvido ao longo dos últimos dez meses, visa elevar a capacidade anual de exportação de 300 mil toneladas para 1 milhão de toneladas até o final da década.
Segundo Hédi Youssef, gerente-geral do Complexo Químico de Gabès, a Tunísia consome atualmente cerca de 2 milhões de toneladas de fosfato e, aproximadamente, 600 mil toneladas de enxofre por ano em suas operações industriais. O país mantém estoques de cerca de 600 mil toneladas de fosfato. A expansão da produção de fosfato exige aumento proporcional no consumo de ácido sulfúrico, insumo crítico para produção de ácido fosfórico via processo úmido e para fabricação de fertilizantes fosfatados como MAP (monoamônio fosfato), DAP (diamônio fosfato) e TSP (triple superfosfato).
O plano tunisiano impacta diretamente a cadeia de insumos químicos, como o Enxofre e ácido sulfúrico, a produção de ácido fosfórico consome grandes volumes de ácido sulfúrico, que por sua vez depende de enxofre elementar como matéria-prima, sendo que aTunísia já importa cerca de 600 mil toneladas de enxofre anualmente. Quanto ao ácido fosfórico, este é um produto intermediário essencial para fertilizantes fosfatados, cuja produção será ampliada conforme o plano de modernização das unidades de processamento.
A Tunísia é um dos principais produtores de fosfato da África e do Mediterrâneo. A ampliação da capacidade produtiva pode influenciar a disponibilidade global de fertilizantes fosfatados e a demanda por insumos como enxofre e ácido sulfúrico, especialmente em um cenário de restrições de oferta e tensões geopolíticas no Oriente Médio que afetam o comércio de enxofre.
Adaptado GlobalKem | 07 de abril de 2026