Indústria química europeia perde 14 pontos de participação global enquanto revisão do REACH e energia elevada redefinem competitividade
A indústria química da União Europeia enfrenta retração produtiva, queda de investimentos e aumento de custos energéticos em 2026. O setor registrou vendas próximas de US$ 650 bilhões em 2024, porém sua participação no mercado global caiu de 27% em 2004 para 12,6% em 2024. Em 2025, os fechamentos de capacidade somaram 37 milhões de toneladas, o equivalente a 9% da capacidade instalada, com redução de aproximadamente 20 mil empregos e queda de 80% nos investimentos anuais.
O principal fator estrutural é o custo da energia. Após a substituição do gás russo por gás natural liquefeito (GNL), a indústria europeia passou a operar com custo energético superior ao dos Estados Unidos e do Oriente Médio. Nos EUA, o gás natural negociado no Henry Hub permanece significativamente abaixo do preço europeu indexado ao TTF (Title Transfer Facility), mantendo vantagem competitiva para produtores americanos.
Paralelamente, a revisão do REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals) segue indefinida. Criado há quase duas décadas, o regulamento é a base da política química da UE. A modernização prometida dentro do Pacto Ecológico Europeu ainda não foi formalizada. Em 2025, representantes da indústria participaram de 93 reuniões de alto nível com a Comissão Europeia sobre o tema, enquanto organizações da sociedade civil participaram de 19 encontros.
O setor também enfrenta excesso global de oferta. A China ampliou capacidade petroquímica acima do crescimento da demanda mundial, pressionando margens internacionais. As taxas de utilização de etileno permanecem abaixo do intervalo considerado saudável de 85% a 90%. A expectativa de recuperação estrutural foi postergada para 2028, condicionada ao crescimento da demanda superar a entrada de novas plantas.
A deterioração operacional já impacta o crédito corporativo. Em 2025, na América do Norte, os rebaixamentos de rating superaram elevações em proporção próxima de seis para um. Empresas químicas registraram queda relevante de EBITDA, em alguns casos até 50% abaixo das projeções iniciais do ano.
Adaptada GlobalKem |19 de fevereiro 2026