A decisão do governo da Indonésia de reduzir a cota do RKAB de níquel para 2026, fixando o volume entre 260 milhões e 270 milhões de toneladas frente às 379 milhões aprovadas para 2025, recoloca o país no centro da estratégia global de oferta do metal. A redução se aproxima de um terço do volume anterior e fica abaixo da estimativa de consumo doméstico, projetada em cerca de 330 milhões de toneladas para 2026. O anúncio ocorre após a valorização do níquel na LME, que atingiu US$ 18.950/t em 29 de janeiro, refletindo a expectativa de menor disponibilidade futura.
A estrutura produtiva indonésia é integrada, com extração concentrada em polos como Morowali, Weda Bay e Ilha Obi e processamento voltado majoritariamente à rota HPAL, utilizada na produção de MHP para baterias. Esse modelo garante escala e competitividade, mas aumenta a sensibilidade a decisões regulatórias. A definição da cota de mineração impacta diretamente o planejamento das fundições e das plantas químicas associadas. Se o volume autorizado permanecer no intervalo anunciado até abril, parte das unidades deverá ajustar a taxa de utilização para se alinhar à nova disponibilidade de minério.
O impacto se estende à cadeia de enxofre e ácido sulfúrico. A produção de níquel via HPAL consome entre 1,0 e 1,4 tonelada de enxofre por tonelada de metal. A redução da cota de produção de níquel para 2026 ajustou o ritmo operacional de parte dos complexos metalúrgicos e hidrometalúrgicos, o que resultou em menor consumo interno de ácido sulfúrico em determinadas plantas. Com isso, volumes que anteriormente eram absorvidos integralmente pelo mercado doméstico passaram a compor excedentes exportáveis.
Esse aumento pontual da disponibilidade permitiu que a Indonésia ingressasse como fornecedora ao mercado brasileiro justamente em um período de restrição de oferta na Europa e ajustes logísticos em outras regiões. O movimento não representa mudança estrutural do papel do país na cadeia, mas sim um reflexo do reequilíbrio entre produção de níquel e demanda interna por insumos químicos. A manutenção desse fluxo ao longo de 2026 dependerá do volume efetivo de minério autorizado pelo governo, do nível de utilização das plantas e da continuidade do excedente de sulfúrico gerado como subproduto.
Autoral GlobalKem | 12 de fevereiro de 2026