Demanda

Nova capacidade de PE nos EUA e excesso global mantêm mercado favorável aos compradores em 2026

A entrada prevista de aproximadamente 2 milhões de toneladas/ano de nova capacidade de polietileno (PE) nos Estados Unidos no segundo semestre de 2026 consolida um cenário de oferta ampliada e reforça a manutenção do poder de negociação nas mãos dos compradores ao longo do ano. O movimento ocorre em um contexto de demanda internacional moderada e crescente autossuficiência da China, reduzindo a capacidade do mercado global de absorver volumes adicionais sem pressão sobre preços.

O principal projeto associado a esse avanço é a unidade da Golden Triangle Polymers, no Texas, voltada majoritariamente à exportação. No entanto, esse volume adicional precisará competir com cerca de 4 milhões de toneladas/ano de nova capacidade de PE previstas para entrar em operação na Ásia em 2026, ampliando a disputa por mercados importadores. Caso os produtores norte-americanos não consigam direcionar essas cargas ao exterior, o excedente tende a permanecer nos mercados dos EUA e do Canadá, dificultando reajustes positivos nos contratos domésticos.

Os dados recentes confirmam esse desequilíbrio estrutural. Entre julho e dezembro de 2025, após a entrada de novas unidades nos EUA, os preços de exportação de LLDPE recuaram cerca de 18%, enquanto os preços contratuais na América do Norte permaneceram estáveis, refletindo oferta abundante e fraca demanda interna. Em paralelo, a participação das exportações no total das vendas norte-americanas subiu de 39% em 2022 para 48% em 2025, evidenciando a crescente dependência do mercado externo para escoamento da produção.

Esse ambiente de excesso de oferta não se restringe ao PE. O mercado global de Polietileno Tereftalato (PET) apresentou trajetória semelhante entre o final de 2024 e o terceiro trimestre de 2025, com quedas trimestrais relevantes em regiões como América do Norte (-9,71%) e Brasil (-9,8%), impulsionadas por estoques elevados, importações competitivas e demanda cautelosa dos setores de bebidas e embalagens. Mesmo em mercados com leve resiliência pontual, como o Japão, a estrutura global segue marcada por excedentes e baixo suporte de custos de matérias-primas como PTA e MEG, limitando qualquer recuperação sustentada de preços.

No Brasil, o cenário internacional se reflete em estoques bem abastecidos e maior competitividade das importações, tanto para PE quanto para PP. Em dezembro, as importações brasileiras de polietileno recuaram 53,3% frente a novembro, não por restrição de oferta, mas pela combinação de estoques elevados e demanda sazonalmente mais fraca. Ainda assim, os preços médios de importação caíram 4,7% no mês, sem incorporar integralmente o aumento de 9,8% nos custos do etileno, indicando espaço para manutenção de valores competitivos até o fim do primeiro trimestre de 2026. No caso do polipropileno, apesar de uma recuperação pontual da demanda no final de 2025, o mercado segue sensível aos custos do propileno e à normalização produtiva esperada para janeiro, o que limita movimentos mais agressivos de alta.

Autoral GlobalKem | 28 de janeiro 2026

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