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Petrobras retoma produção de ureia e reforça oferta doméstica para a indústria

A Petrobras iniciou a retomada da produção de ureia nas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) da Bahia e de Sergipe, movimento que reposiciona o Brasil na produção doméstica de um insumo estratégico e reduz a exposição histórica do país às importações. A reativação das unidades, após investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada planta, ocorre em um momento de maior atenção global à segurança de suprimento, marcado por volatilidade cambial, restrições logísticas e riscos geopolíticos recorrentes.

Em Sergipe, a produção já está em curso após o reinício da amônia no fim de dezembro e da ureia no início de janeiro. Na Bahia, a planta de Camaçari encontra-se em fase final de comissionamento, com expectativa de entrada em operação ainda neste mês. Juntas, as duas unidades têm capacidade para suprir cerca de 12% da demanda nacional de ureia, participação relevante em um mercado tradicionalmente dependente do produto importado. No horizonte da estatal, a ampliação gradual dessa fatia está condicionada ao avanço de outros projetos e à consolidação da estratégia nacional de fertilizantes.

Além do impacto direto no agronegócio, a retomada das Fafens tem efeitos relevantes sobre o mercado de ureia industrial, segmento cada vez mais sensível a custos energéticos e logística. A ureia industrial é insumo crítico para a produção de ARLA 32 (AdBlue), essencial para o transporte rodoviário a diesel e para cadeias logísticas sujeitas a normas ambientais mais rígidas. A ampliação da oferta doméstica tende a reduzir a dependência de importações, mitigar riscos cambiais e trazer maior previsibilidade de abastecimento para consumidores industriais.

Do ponto de vista estratégico, o movimento da Petrobras ocorre em um contexto de crescimento moderado do mercado global de ureia, no qual eficiência operacional, acesso à energia e controle logístico se tornam diferenciais competitivos. Ao reforçar a produção local, a estatal contribui para maior estabilidade do mercado interno, com potencial impacto indireto sobre preços, contratos de longo prazo e planejamento de estoques, especialmente para setores industriais intensivos no uso de ureia e derivados.

Autoral GlobalKem | 19 de janeiro 2026

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