O oleoduto operado pelo Consórcio do Cáspio (CPC), responsável por grande parte do escoamento de petróleo do Cazaquistão pelo Mar Negro, teve suas operações reduzidas após uma de suas unidades de amarração ser danificada em um ataque com drones em 29 de novembro. O terminal, localizado próximo a Novorossiysk, opera três pontos de amarração, mas apenas o SPM‑1 permanece ativo: o SPM‑2 sofreu danos significativos e o SPM‑3 já estava em manutenção desde meados de novembro.
Com apenas um ponto operacional, a capacidade de embarque caiu de forma relevante, levando à suspensão temporária de cargas e à redução mensal nas exportações. A queda ocorre em um sistema que escoa cerca de 80% do petróleo exportado pelo Cazaquistão , que também é fundamental para o envio de enxofre do país. Até 20% de todo o enxofre produzido no Cazaquistão tem origem em operações ligadas ao CPC, o que faz com que interrupções no terminal afetem diretamente o fluxo desse insumo.
Diante da limitação operacional, o governo cazaque iniciou o uso de rotas alternativas para manter o escoamento de petróleo e, consequentemente, reduzir o impacto sobre derivados como o enxofre. Autoridades confirmaram que volumes estão sendo redirecionados para outros corredores logísticos, ainda que não tenham detalhado todas as rotas utilizadas.
Para o Brasil, eventual dificuldade de embarque por parte do Cazaquistão pode afetar a chegada do produto ao longo das próximas semanas. O país representa 23% das importações brasileiras de enxofre no acumulado entre janeiro e novembro de 2025, e qualquer redução nos fluxos tende a pressionar volumes disponíveis no mercado local.
O episódio gerou preocupação sobre a estabilidade das rotas energéticas da região, já que o ataque ocorreu em uma infraestrutura considerada essencial para o comércio internacional. Autoridades locais afirmaram que, apesar dos danos, não houve vítimas nem vazamentos, e os sistemas de emergência foram acionados de forma adequada. Entretanto, enquanto durar a operação reduzida no terminal, as incertezas logísticas e geopolíticas permanecem elevadas.
Autoral GlobalKem | 18 de dezembro 2025