Alta dos capesize sustenta fretes marítimos globais enquanto excesso de oferta pressiona contêineres no fim de 2025
O mercado global de frete encerra dezembro com sinais opostos entre granéis sólidos e contêineres. O índice de granéis secos atingiu 2.583 pontos em 1º de dezembro de 2025, maior nível desde 2023, impulsionado pela alta de 1,8% do capesize, que chegou a 4.563 pontos. Em sentido contrário, o índice panamax recuou 0,9%, refletindo menor ritmo nas cargas de grãos e carvão em rotas operadas por navios de médio porte. Para exportadores de minério, carvão e cadeias ligadas ao agronegócio, o patamar atual redefine o custo logístico na virada para 2026.
A sustentação do capesize está associada ao aumento da demanda por minério de ferro e ao prolongamento das rotas via Cabo da Boa Esperança, que ainda absorvem parte significativa da frota global. Estimativas apontam que cerca de 2 milhões de TEUs seguem comprometidos por desvios relacionados ao Mar Vermelho. Ao mesmo tempo, o retorno gradual do tráfego pelo Canal de Suez avança: a partir de 15 de janeiro de 2026, um serviço regular entre Índia/Paquistão e Costa Leste dos EUA voltará a operar integralmente via Suez, reduzindo o tempo de trânsito em duas semanas. Se essa migração for ampliada ao longo de 2026, a frota efetiva disponível aumentará e poderá gerar nova rodada de ajustes nos fretes de contêiner.
No mercado de contêineres, a recuperação semanal ainda convive com uma tendência estrutural de excesso de oferta. Na semana 49, o índice global avançou 7%, enquanto algumas rotas – como Ásia–Europa e transpacíficas – registraram altas de até dois dígitos. Apesar disso, os resultados do quarto trimestre mostram quedas superiores a 50% nas rotas Ásia–Europa em relação a 2024 e recuos acima de 60% nas principais rotas transpacíficas, influenciados pela entrada contínua de navios e pela capacidade global, que alcançou cerca de 5 milhões de TEUs por semana em outubro.
Com a carteira de encomendas equivalente a aproximadamente 30% da frota atual e o crescimento da demanda estabilizado entre 2% e 3%, o setor opera em um cenário de sobreoferta persistente. Para exportadores brasileiros de grãos, proteínas e alimentos industrializados, esse ambiente abre espaço para negociações mais competitivas em contêiner, especialmente nas ligações com América do Norte e Europa. Porém, a manutenção dos capesize em níveis elevados continuará pressionando cadeias dependentes de minério e carvão, com impactos diretos nos custos energéticos e industriais.
Autoral GlobalKem | 11 de dezembro 2025