Reconfiguração das matrizes fósseis reforça margens de carvão e gás, pressionando custos de energia
O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, deve encerrar 2025 combinando avanços de infraestrutura, disputas regulatórias bilionárias e novos recordes de movimentação, reforçando seu papel central no abastecimento industrial do país. Em novembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu recomendar que operadores já instalados no porto fiquem impedidos de participar da primeira fase do leilão do megaterminal Tecon 10, projeto estimado em R$ 6 bilhões e considerado estratégico para ampliar em 50% a capacidade de contêineres. A medida busca reduzir a concentração de mercado e abrir espaço para novos grupos internacionais, incluindo empresas asiáticas e operadores que ingressaram recentemente no setor.
Em paralelo ao debate regulatório, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou um novo pacote de investimentos de R$ 1,6 bilhão a ser executado pela DP World, incluindo a construção de um novo píer, ampliação da retroárea e modernização operacional, elevando a capacidade total para 2,1 milhões de contêiners (TEUs) até 2028. O aporte se soma a outros R$ 450 milhões já programados, consolidando um ciclo de modernização que busca sustentar o crescimento da demanda e reduzir gargalos logísticos que historicamente pressionam o terminal.
Os investimentos ocorrem em um ano de forte expansão. Dados industriais indicam que Santos manteve hegemonia quase absoluta na importação de insumos críticos, com destaque para o enxofre, matéria-prima essencial para fertilizantes, ácido sulfúrico, refinarias, metalurgia e saneamento. Entre janeiro e novembro, o Brasil importou cerca de 430 mil toneladas do produto, e aproximadamente 99% desse volume entrou exclusivamente por Santos. As origens mais relevantes incluem Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Cazaquistão.
Com a combinação de investimentos públicos e privados, ampliação de capacidade e abertura a novos competidores, o porto tende a ganhar eficiência, reduzir custos logísticos e aumentar a previsibilidade de desembarque, fortalecendo a segurança de abastecimento.
Autoral GlobalKem | 10 de dezembro 2025