Custos da construção desaceleram para 0,27% em outubro, mas mão de obra mantém pressão estrutural sobre o setor
O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) registrou variação de 0,27% em outubro, resultado inferior ao observado em setembro. Com isso, o acumulado em 12 meses alcançou 5,30%, abaixo do período imediatamente anterior, indicando perda de ritmo no avanço dos custos do setor.
A desaceleração decorre principalmente do comportamento dos materiais, que aumentaram 0,31%, taxa menor que a de setembro e inferior à verificada em outubro do ano passado. Já a mão de obra cresceu 0,22%, influenciada por negociações salariais concentradas em um único estado no mês, mantendo-se como o principal fator de pressão no acumulado anual. Entre janeiro e outubro, essa parcela já soma 6,65%, enquanto os materiais avançam 3,52%, evidenciando dinâmica distinta entre os dois componentes.
As regiões repetiram o padrão observado no indicador nacional. O Norte apresentou a maior variação mensal, com 0,95%, impulsionada pelo reajuste das categorias profissionais no Pará, estado que liderou as altas em outubro. Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste permaneceram próximas à estabilidade relativa, com resultados entre 0,15% e 0,27%.
Em Minas Gerais, o custo da construção avançou 0,20% em outubro, acumulando 4,57% em 12 meses. Segundo a indústria local, a combinação entre encarecimento dos materiais e reajustes na mão de obra mantém o metro quadrado acima da média de outros estados. A avaliação é de que, embora o ritmo tenha perdido força frente ao início do ano, a pressão sobre os custos permanece vinculada à data-base dos trabalhadores e ao nível elevado de atividade do mercado de trabalho, que mantém a mão de obra mais cara.
A CBIC revisou a projeção de crescimento para 2025, reduzindo a expectativa de 2,3% para 1,3%, diante do impacto dos juros altos sobre o crédito e da necessidade de maior previsibilidade nos custos operacionais. Se os acordos coletivos previstos para Belo Horizonte e Região Metropolitana forem concluídos até o início de 2026, a parcela de mão de obra poderá registrar novos ajustes, mantendo os custos da construção em trajetória de alta controlada ao longo do próximo semestre.
Adaptado GlobalKem | 13 de novembro de 2025