Guiné mantém liderança global no mercado de bauxita, embora preços estejam retraindo sob pressão da alumina
O primeiro semestre de 2025 confirmou a Guiné como protagonista absoluto do mercado global de bauxita, com exportações de cerca de 99,8 milhões de toneladas, alta de 36% frente ao mesmo período de 2024, e receita de aproximadamente US$ 8,9 bilhões, em grande parte sustentada pela forte demanda chinesa. O país, que detém quase um quarto das reservas mundiais, consolidou-se como a principal fonte de minério para refinarias asiáticas, superando entraves logísticos e apoiado em grandes mineradoras como SMB, CBG e GAC.
Apesar do desempenho em termos de volumes, os preços da bauxita guineense registaram uma queda nas últimas semanas, devido à fraqueza das cotações da alumina. Entre 19 e 25 de setembro, os embarques diminuíram 25,8%, ao passo que os contratos de longo prazo para o quarto trimestre foram ajustados em 1 dólar norte-americano por tonelada métrica seca, levando o preço CIF à faixa dos 74 dólares norte-americanos por tonelada. Os elevados níveis de existências nos portos chineses e as expetativas de uma maior oferta no quarto trimestre reforçam a tendência de baixa no curto prazo.
A Austrália manteve a estabilidade e a confiança nos fluxos comerciais, tendo registado um aumento de 11% nas exportações, para 19,4 milhões de toneladas, e receitas de 1,16 mil milhões de dólares norte-americanos. Por outro lado, a Turquia e o Brasil enfrentaram retrocessos: a primeira, devido a tarifas e custos logísticos; a segunda, devido a atrasos nos embarques e disputas trabalhistas. Estas circunstâncias reduziram as exportações em quase 10%, para 100 milhões de dólares no semestre.
Além disso, o Brasil consolidou recentemente a sua posição estratégica no mercado global de bauxita com duas frentes de destaque. No Pará, entre os municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro, foi identificada a quarta maior jazida do mundo. A operação, que prevê investimentos bilionários ao longo de 15 anos e a criação de 12 mil postos de trabalho, deverá consolidar a presença do Brasil como um dos principais exportadores de bauxita, reduzindo os custos internos e aumentando a competitividade industrial.
A Guiné enfrenta um dilema, pois embora siga como líder incontestável em volumes, a pressão dos preços globais da alumina e as reformas regulatórias internas podem redefinir o equilíbrio entre exportar matéria-prima e desenvolver capacidade local de refino. Se conseguir avançar em transparência e industrialização, o país poderá transformar sua dominância mineral em um polo estratégico de valor agregado para a indústria global do alumínio.
Autoral GlobalKem| 02 de outubro de 2025