Tarifas comerciais dos EUA sobre o Brasil seguem impactando o setor madeireiro do país
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras em agosto afetam diretamente a indústria de madeira processada, altamente dependente do mercado norte-americano, que é responsável por cerca de 50% da produção nacional e representou US$ 1,6 bilhão em exportações em 2024.
O setor madeireiro faz parte do grupo de produtos que não foram isentos da taxa de 50% imposta pelos Estados Unidos, e estão sentindo as consequências das tarifas desde abril, quando a taxa de 10% entrou em vigor para todos os produtos brasileiros.
Empresas como a Millpar, segunda maior do setor no Brasil e a terceira na América Latina, suspenderam parte das operações e colocaram centenas de funcionários em férias coletivas. A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI) alerta que até 180 mil empregos diretos podem estar em risco, principalmente na região Sul do país, onde se concentra 90% da produção.
Além das tarifas, o setor enfrenta investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que questiona a efetividade do Brasil no combate ao desmatamento ilegal. As associações defendem que a madeira exportada para os EUA provém majoritariamente de florestas plantadas.
O governo anunciou uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para apoiar as empresas, mas representantes do setor consideram a medida paliativa, defendendo a renegociação das tarifas como solução definitiva.
Adaptado GlobalKem | 09 de setembro de 2025