Mercado

Conflito no Oriente Médio restringe logística energética e reduz produção de alumínio no Golfo

A intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã levou à restrição operacional no Estreito de Ormuz no início de março de 2026, afetando uma das principais rotas marítimas de energia e metais do mundo. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra grande parte das exportações de alumínio do Oriente Médio. Após a escalada do conflito e a limitação da navegação na região, o mercado internacional reagiu com elevação nas referências do alumínio negociado na London Metal Exchange.

O impacto ocorre pois o Oriente Médio responde por aproximadamente 10% da produção global de alumínio primário, com operações concentradas nos Emirados Árabes Unidos, Bahrain, Catar, Omã e Arábia Saudita. Esses países produzem mais de 6,5 milhões de toneladas anuais, grande parte destinada aos mercados dos Estados Unidos, Europa e Índia. Apenas a União Europeia importou cerca de 1,07 milhão de toneladas de alumínio da região em 2024, enquanto os Estados Unidos dependem do Golfo para cerca de 20% de suas importações do metal. Com a restrição logística no Golfo Pérsico, os embarques passam a enfrentar atrasos operacionais e reorganização de rotas comerciais.

Os efeitos do conflito já atingem diretamente a produção regional. Em 3 de março, a fundição Qatalum, joint venture entre a Hydro e a QatarEnergy com capacidade nominal de 636 mil toneladas por ano, iniciou uma paralisação controlada após receber aviso de suspensão no fornecimento de gás natural. Como a produção de alumínio primário depende de grande volume de energia, a restrição no abastecimento de gás levou a empresa a iniciar o desligamento gradual da planta até o final de março. A retomada completa das operações exigirá entre seis e doze meses, período necessário para estabilização do fornecimento energético e reinício das linhas eletrolíticas.

Outro fator estrutural aumenta a exposição das fundições do Golfo. Os estoques regionais de alumina cobrem apenas três a quatro semanas de consumo, enquanto o Oriente Médio produz cerca de 3% da alumina mundial e 1% da bauxita global. Se a navegação no Estreito de Ormuz permanecer restrita, o fluxo de matérias-primas para as fundições sofrerá atrasos logísticos e novas reduções produtivas poderão ocorrer nas unidades da região.

Paralelamente, a indústria europeia também passa por ajustes operacionais. A Hydro anunciou a proposta de fechamento da fábrica de extrusão localizada em Lucé, na França. A decisão integra um processo de consolidação das operações de extrusão na Europa e deverá ser implementada ao longo de 2026, após o processo formal de consulta com representantes dos funcionários.

A escalada geopolítica cria um efeito encadeado sobre a indústria do alumínio. O aumento dos custos energéticos eleva o custo operacional das fundições, enquanto a restrição logística no Golfo reduz a disponibilidade de metal primário para os mercados consumidores. Esse cenário ocorre em um momento em que a oferta global já apresenta limitações estruturais, com a produção chinesa próxima ao limite regulatório de 45 milhões de toneladas, ajustes industriais em fundições ocidentais e reorganização das cadeias de suprimento. Com isso, interrupções prolongadas na logística do Golfo reduzem a disponibilidade global de metal ao longo de 2026, período em que a demanda mundial de alumínio continua em expansão.

Autoral GlobalKem | 06 de março 2026

Etiquetas
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
Fechar