Alumina em 2025 consolida novo equilíbrio da cadeia global
O mercado global de alumina encerrou 2025 em um movimento claro de reorganização. A produção mundial cresceu entre 4% e 4,5% ao longo do ano, alcançando cerca de 143 milhões de toneladas, enquanto a demanda permaneceu ligeiramente abaixo desse patamar. O resultado foi um excedente suficiente para aliviar tensões pontuais de abastecimento, mas longe de representar folga na oferta. Em termos simples, houve mais alumina disponível, mas não em volume capaz de mudar o equilíbrio do mercado no longo prazo.
Esse aumento de oferta não veio de uma nova onda de investimentos, mas da entrada em operação de projetos planejados anos antes. Refinarias que estavam em fase final de construção avançaram para o ramp-up produtivo (aceleração gradual da produção), sobretudo na Ásia. Ao mesmo tempo, a produção de alumínio primário seguiu em expansão, absorvendo parte relevante desse volume adicional e impedindo a formação de estoques excessivos. O crescimento ocorreu, portanto, de forma sincronizada entre refino e consumo.
Nesse cenário, a China manteve-se como o principal eixo do sistema global. Em 2025, o país produziu cerca de 91 milhões de toneladas de alumina, sustentado por uma capacidade instalada superior a 110 milhões de toneladas e taxa média de utilização próxima de 80%. Esse volume não apenas atende ao consumo interno, mas confere flexibilidade ao mercado global, permitindo redirecionamento de fluxos e absorção de excedentes por meio de eficiência logística e integração industrial.
A Índia avançou de forma consistente ao longo do ano. A expansão da refinaria de Lanjigarh elevou a capacidade nacional de refino e levou a produção indiana a se aproximar de 9 milhões de toneladas em 2025. O movimento reflete uma estratégia clara de reduzir a dependência de insumos intermediários importados e fortalecer a cadeia doméstica de alumínio, com efeitos graduais, mas estruturais, sobre o mercado regional.
No Sudeste Asiático, a Indonésia acelerou a estratégia de agregar valor internamente. A produção de alumina avançou para a faixa de 5,0 a 5,5 milhões de toneladas, apoiada por novos projetos e expansões. Como consequência, diminuiu a disponibilidade de bauxita para exportação, alterando fluxos tradicionais e concentrando cada vez mais o refino próximo às áreas de extração.
Em contraste, a Austrália consolidou um ajuste estrutural. A produção permaneceu próxima de 17,6 milhões de toneladas, refletindo o fechamento definitivo de refinarias menos competitivas e a limitação de investimentos em ativos antigos. Custos elevados de energia, exigências ambientais mais rigorosas e infraestrutura envelhecida reduziram a viabilidade econômica de parte da capacidade instalada, mesmo com receitas de exportação ainda sustentadas por contratos de longo prazo.
No caso do Brasil, o mercado operou ao longo de 2025 com produção elevada e estável, próxima de 1,0 milhão de toneladas por mês. Não houve mudanças estruturais na oferta, e a alumina de grau metalúrgico respondeu por cerca de 93% do volume total. Aproximadamente 65% da produção foi destinada às exportações, consolidando o país como fornecedor líquido ao mercado global. A região Norte concentrou a maior parte dos embarques, seguida pelo Nordeste, enquanto o Sudeste ampliou sua presença no mercado internacional no início do ano. Do lado dos custos, a boa disponibilidade de soda cáustica e a estabilidade da cal favoreceram a competitividade das refinarias, enquanto a demanda doméstica, ligada à produção de alumínio primário, manteve-se regular.
Ao longo do ano, as questões ambientais deixaram de ser apenas um fator reputacional e passaram a impactar diretamente os custos e o risco financeiro das operações. Multas, processos judiciais e exigências regulatórias mais rígidas aumentaram a pressão sobre as empresas. Em resposta, iniciativas de descarbonização e reaproveitamento de resíduos começaram a ganhar espaço nos planejamentos estratégicos, ainda de forma gradual, mas já reconhecidas como parte do custo de permanência no mercado.
Autoral GlobalKem | 21 de janeiro 2025