Mercado

Nafta nacional pode crescer 70% e mudar cadeia química

A produção brasileira de nafta poderá crescer aproximadamente 70% até 2036, segundo projeções divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 3 de novembro de 2026. A expansão, prevista no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), poderá reduzir a dependência nacional de importações dessa matéria-prima, cuja participação no abastecimento brasileiro deve passar dos atuais 54% para aproximadamente 27% ao final do período.

O avanço está associado a investimentos previstos na ampliação e modernização do parque de refino, incluindo o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e a integração operacional do Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro. Com esses projetos, a capacidade nacional de refino deverá aumentar de aproximadamente 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris por dia até 2036, crescimento próximo de 10%. Entretanto, os volumes projetados dependem da execução dos investimentos e não representam produção adicional já disponível.

A nafta é uma das principais matérias-primas da indústria petroquímica, sendo utilizada na fabricação de olefinas e aromáticos. Por meio do craqueamento a vapor, pode dar origem ao eteno, intermediário empregado na produção de Policloreto de Vinila (PVC) e Monoetilenoglicol (MEG). Assim, a ampliação do abastecimento nacional poderá reduzir a exposição de determinadas operações petroquímicas às importações de matéria-prima, dependendo das condições comerciais e da capacidade de processamento instalada.

A perspectiva também se relaciona aos desafios apontados pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que destaca os custos de matérias-primas e energia, a concorrência internacional e a necessidade de investimentos como fatores que limitam a competitividade do setor. Nesse contexto, uma maior disponibilidade de nafta nacional poderá favorecer a integração produtiva, mas não garante, isoladamente, redução de preços ou recuperação da competitividade da indústria química brasileira.

Outro ponto de atenção envolve a infraestrutura logística necessária para acompanhar a expansão do refino. O PDE 2036 identifica possíveis restrições em determinados oleodutos ao longo da próxima década, indicando que o aumento da capacidade produtiva deverá ser acompanhado por melhorias no transporte e na distribuição de derivados. Mesmo com os investimentos previstos, o Brasil deverá continuar dependendo de importações de nafta, embora em proporção inferior à atual.

Para os mercados de PVC e MEG, a perspectiva representa uma possível mudança estrutural no abastecimento de matérias-primas petroquímicas no longo prazo. Os efeitos efetivos dependerão da entrada em operação dos projetos, dos custos de produção e da competitividade frente aos insumos importados. O principal ponto de acompanhamento será a evolução dos investimentos nas refinarias e sua capacidade de ampliar o fornecimento de nafta à indústria química nacional.

Autoral GlobalKem | 05 de novembro de 2026

Etiquetas
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
Fechar