INEOS no Reino Unido suspende operações por custos energéticos
A INEOS anunciou em setembro de 2026 a suspensão temporária de três unidades de produção de acetilas em escala mundial em sua planta de Saltend, em Hull, no Reino Unido, citando preços do gás natural que atingiram níveis 12 vezes superiores aos praticados nos Estados Unidos e 8 vezes maiores que os da China.
As instalações de Hull são descritas pela INEOS como as últimas unidades de acetilas em escala mundial remanescentes na Europa, produzindo intermediários químicos utilizados em fármacos, produtos alimentícios, cosméticos, detergentes, materiais de construção e explosivos de alta energia. O gás natural é utilizado nessas plantas tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima no processo de produção, tornando-as particularmente vulneráveis à volatilidade extrema dos mercados energéticos europeus.
Apesar de a empresa afirmar que as plantas de Hull estão entre as mais eficientes do mundo e operam com emissões de carbono excepcionalmente baixas, a desvantagem de custo está forçando a realocação da produção para regiões com processos de manufatura de maiores emissões. A suspensão de unidades de acetilas afeta a produção de monômeros de acetato de vinila (VAM) e ácido acético, que compartilham cadeias de valor e infraestrutura com a produção de dicloreto de etileno (EDC) e PVC. A INEOS Inovyn, por exemplo, opera ativos críticos de EDC no Reino Unido. Qualquer desequilíbrio na cadeia de cloro-vinil pode influenciar a precificação e a disponibilidade de resinas de PVC importadas pelo Brasil.
Além disso, a pressão sobre os custos do gás no Reino Unido, onde a INEOS (via INEOS Inovyn) é um player central, pode indicar uma ameaça a viabilidade econômica de plantas de cloro-álcalis, podendo levar a cortes de produção que restringem a oferta de Cloro, Soda Cáustica (em escamas e solução) e derivados como Hipoclorito de Sódio.
Dessa forma, a suspensão das operações da INEOS em Hull é um sintoma de que a política energética e os custos de carbono na Europa estão colidindo com a realidade da manufatura química intensiva em energia.
Adaptada GlobalKem | 24 de Setembro de 2026