A Rússia proibiu temporariamente as exportações de Ácido Sulfúrico até 31 de dezembro de 2026. A medida, assinada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin em 12 de setembro, entrará em vigor dez dias após a publicação oficial. Segundo o governo russo, a restrição busca assegurar o abastecimento das indústrias locais e dos produtores de fertilizantes minerais. Os embarques ao exterior permanecerão possíveis somente em situações excepcionais, mediante autorização do primeiro-ministro ou de seus vice-primeiros-ministros, além de operações de trânsito internacional e fornecimentos previstos em acordos intergovernamentais.
A decisão amplia o controle russo sobre a cadeia de fertilizantes, que já enfrenta restrições às exportações de Enxofre, principal matéria-prima utilizada na fabricação do ácido. A oferta russa de Enxofre tem sido afetada pela menor atividade de refinarias de petróleo e unidades de processamento de gás, enquanto os ataques ucranianos contra instalações energéticas também pressionam a produção e a logística no país. Além de sua aplicação em fertilizantes, mineração e diferentes processos industriais, o Ácido Sulfúrico é utilizado na fabricação de compostos nitrados empregados na produção de explosivos, o que reforça o caráter estratégico do produto no atual contexto geopolítico.
Embora a Rússia tenha participação mais relevante no mercado internacional de Enxofre do que no comércio de Ácido Sulfúrico, a retirada de cargas russas pode reduzir a flexibilidade da oferta global e contribuir para a sustentação dos preços. Para o Brasil, o impacto direto tende a ser limitado, pois a Rússia não está entre as principais origens das importações brasileiras do produto. O efeito indireto, entretanto, pode ser maior caso a menor disponibilidade internacional intensifique a concorrência por cargas europeias e asiáticas, elevando os custos de aquisição das indústrias consumidoras.
Autoral GlobalKem | 23 de Setembro de 2026