A nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar a atenção sobre o Estreito de Ormuz e as cadeias de matérias-primas que dependem da passagem pelo Golfo. No dia 30 de agosto, forças americanas atingiram dois lançadores de mísseis iranianos na ilha de Larak, localizada no estreito. Segundo uma autoridade dos Estados Unidos, os alvos estavam associados a forças iranianas que se preparavam para utilizar minas marítimas. O Irã respondeu com ataques contra bases americanas na Jordânia.
A retomada dos ataques ocorreu justamente em um momento em que havia expectativa de algum avanço para normalizar a navegação em Ormuz. Em 25 de agosto, os governos de Omã e Irã divulgaram um comunicado conjunto informando que discutiam a criação de um corredor temporário de navegação e um projeto conjunto para retirada de minas do estreito. As negociações técnicas também deveriam avançar para um corredor permanente e novos mecanismos de gerenciamento do tráfego marítimo.
Para o mercado químico, o principal ponto de atenção está no Enxofre. Embora Ormuz seja frequentemente associado ao petróleo e ao gás natural, o estreito também ocupa posição estratégica no comércio internacional desse insumo. Antes do início do conflito, quase metade do Enxofre comercializado por via marítima atravessava Ormuz.
A importância regional também está relacionada à própria estrutura de produção do Enxofre. O produto é recuperado em grandes volumes durante o processamento de petróleo e gás natural. Nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, a planta Shah, operada pela ADNOC Sour Gas, possui capacidade para produzir 4,2 milhões de toneladas de Enxofre por ano, segundo a própria companhia. A empresa se apresenta como uma das maiores produtoras mundiais de Enxofre granulado.
Uma interrupção ou redução prolongada desses fluxos repercute diretamente sobre o Ácido Sulfúrico, já que sua produção representa o principal destino do Enxofre no mercado industrial. O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, destaca o Ácido Sulfúrico como o principal derivado do elemento e uma matéria-prima importante para diversos segmentos industriais. Dessa forma, restrições de Enxofre podem se propagar para cadeias que dependem do ácido, incluindo a produção de Ácido Fosfórico e, de maneira relacionada, a disponibilidade de Ácido Fluossilícico.
Dados do Comex mostram a relevância de fornecedores do Oriente Médio para o abastecimento brasileiro: em 2025, países da região responderam, juntos, por 42,2% do volume das importações brasileiras de Enxofre. Esse dado demonstra a importância da região para o mercado nacional, embora não permita concluir que todos esses volumes utilizem necessariamente a rota pelo Estreito de Ormuz.
Além da disponibilidade, uma escalada prolongada pode afetar custos de transporte, combustível marítimo e seguros, aumentando a atenção sobre o custo de reposição dos insumos. Por enquanto, porém, ainda não há base para afirmar que os novos ataques provocarão uma nova interrupção efetiva das exportações de Enxofre. O ponto de atenção é acompanhar o tráfego em Ormuz, o avanço das negociações mediadas por Omã, possíveis novos ataques a embarcações ou estruturas logísticas e o comportamento dos embarques dos grandes produtores do Golfo.
Autoral GlobalKem | 02 de setembro de 2026