Mercado

Tarifaço dos EUA leva indústria química brasileira a buscar mercados

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros levaram o governo federal a iniciar, em 13 de agosto, o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. Ao mesmo tempo, a indústria química começa a avaliar alternativas para reduzir sua exposição ao mercado norte-americano e ampliar vendas para outros destinos.

A abertura do processo brasileiro não significa aplicação imediata de tarifas ou outras medidas contra os Estados Unidos. Nesta primeira etapa, o governo avaliará se as ações norte-americanas se enquadram nas situações previstas pela legislação, enquanto continuam as consultas diplomáticas. Caso o processo avance, uma eventual resposta poderá envolver bens, serviços, investimentos e direitos de propriedade intelectual.

Para a indústria química, a mudança no ambiente comercial é relevante. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) em 13 de agosto mostram que o setor exportou US$ 15,5 bilhões em 2025, dos quais US$ 2,13 bilhões, ou 14% do total, foram destinados aos Estados Unidos. Cinco grupos de produtos concentraram mais de 74% dessas vendas, com destaque para a categoria de outros químicos inorgânicos, responsável por 43,7% das exportações químicas brasileiras ao país.

Diante desse cenário, a Abiquim avalia que a indústria possui espaço para ampliar sua presença em mercados onde já mantém relações comerciais. China, Colômbia, Chile, México, Uruguai, Espanha, Itália e França estão entre os destinos apontados pela entidade como bases para uma maior diversificação das exportações. A estratégia também está relacionada ao Plano de Diversificação de Exportações “Caminhos + Negócios”, lançado pela ApexBrasil.

A entidade defende que a diversificação não seja tratada apenas como substituição do mercado norte-americano, mas como forma de reduzir a concentração das vendas externas e ampliar a presença dos produtos químicos brasileiros em diferentes regiões. Entre as iniciativas avaliadas estão rodadas de negócios, consultorias e ferramentas para identificar oportunidades de exportação.

Ao mesmo tempo, a negociação com os Estados Unidos continua sendo uma das frentes adotadas pelo setor e pelo governo. A Abiquim apoia a busca por novas isenções tarifárias em Washington, enquanto o Brasil mantém aberta a possibilidade de adotar contramedidas caso não haja solução negociada. Para o mercado químico, o ponto de atenção será a definição dos produtos efetivamente atingidos pelas medidas comerciais e seus possíveis reflexos sobre exportações, importações e fluxos de matérias-primas entre os dois países.

Autoral GlobalKem | 19 de agosto de 2026

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