
O setor químico e petroquímico brasileiro enfrenta uma crise agravada por excesso de oferta global, custos internos elevados e importações baratas, especialmente da China. Esse cenário tem levado à suspensão e até fechamento definitivo de linhas de produção. Um exemplo é a antiga fábrica da Fortal Química em Candeias (BA), que vai a leilão em agosto por R$ 300 milhões, valor inferior ao investimento feito, justificada pela concorrência desleal com importados.
A Solvay, outra grande empresa do setor químico, interrompeu e depois fechou a produção de bisfenol em Paulínia (SP), enquanto a Unigel adiou para 2028 a possível retomada da fábrica de acrílicos em Camaçari (BA), inicialmente prevista para 2025. A companhia mantém parte das operações suspensas e aposta na planta de Ácido Sulfúrico para 2026. A Braskem ainda não paralisou linhas, mas vê com preocupação o movimento na chamada “segunda geração” da cadeia. A crise lembra a de 2008, segundo executivos.
O gás natural, que custa até US$ 14 por milhão de BTU no Brasil, sai por US$ 2–3 nos EUA, o que compromete ainda mais a indústria local. A expansão da capacidade na China e EUA e o redirecionamento do gás russo para a Ásia agravaram o desequilíbrio de mercado e prolongaram a crise.
Ainda, o setor químico vem apresentando um salto nas importações, as quais já representam cerca de 50% da demanda doméstica. Em 2024, a diferença entre importação e exportações chegou a US$ 48,7 bilhões, reduzindo o nível de ocupação do parque fabril local.
Em meio às fraquezas, o setor recorreu ao governo federal para conter o chamado “surto de importações”, o qual atendeu parcialmente, incluindo 30 produtos na lista transitória da Tarifa Externa Comum (TEC), elevando de 7,6% a 12,6% para 20% os impostos sobre importação, sem reverter a tendência de quedas dos preços. Ademais, o Regime Especial da Indústria Química (Reiq) passou a conceder benefícios adicionais para empresas que investirem em expansão.
Com a reforma tributária, o Reiq acabará em 2027, uma vez que os tributos PIS e COFINS deixarão de existir. Por conta disso, a indústria química brasileira corre contra o tempo, procurando a aprovação de um novo programa que promoveria a reindustrialização do setor.
Adapatado GlobalKem | 10 de julho de 2025