Trégua temporária entre EUA e China reduz tensões, mas comércio global segue em alerta

Após o anúncio das tarifas de reciprocidade por Donald Trump em 2 de abril, o comércio global entrou em alerta. A escalada com a China levou a tarifas recordes (125% impostas por Pequim e 145% por Washington), intensificando temores de uma recessão mundial. No entanto, a recente trégua de 90 dias, firmada em 11 de maio, reduziu temporariamente as tensões. Agora, as tarifas estão em 10% para produtos dos EUA na China e 30% para importações chinesas nos EUA.
Embora o cenário mais crítico tenha sido minimizado, o comércio global permanece mais incerto e cauteloso. A estratégia de força imposta por Trump enfraquece regras básicas do comércio internacional, e a capacidade de reação está concentrada em poucos países, como China e União Europeia.
Apesar das turbulências, os dados da balança comercial brasileira de abril não mostraram alterações significativas nos fluxos agregados com EUA e China. O superávit foi de US$ 8,2 bilhões, pouco abaixo dos US$ 8,4 bilhões de abril de 2024. No acumulado do ano, o superávit caiu de US$ 26,9 bilhões (2024) para US$ 17,7 bilhões (2025), refletindo menor dinamismo das exportações, especialmente de commodities.
As exportações de commodities recuaram 2,7% em volume no quadrimestre, enquanto as de produtos não commodities cresceram 7,5%. Já as importações aumentaram 13,6% em volume, puxadas por produtos industriais (não commodities), como medicamentos, motores e fertilizantes.
No comércio com a China, destaca-se a queda do superávit bilateral: de US$ 13,6 bilhões (2024) para US$ 4,4 bilhões (2025). A China lidera o crescimento das importações brasileiras (+36,6%), impulsionado pela compra pontual de plataformas flutuantes em fevereiro.
Adaptado GlobalKem | 20 de maio de 2025