Retração na demanda global pressiona preços da Ureia e traz desafios logísticos após alta em abril
O mercado global de fertilizantes está passando por uma mudança importante neste segundo trimestre de 2026. Depois de um período de forte aumento nos custos, os preços internacionais da Ureia começaram a cair de forma contínua. Essa queda acontece principalmente porque a procura pelo produto diminuiu de forma expressiva nos principais países consumidores.
Essa mudança nos preços ocorre logo após uma grande alta registrada no mês passado, mostrando como o valor desse insumo pode variar rapidamente. De acordo com os dados, o valor de referência para a Ureia importada que chega ao Brasil subiu 17,9% em abril na comparação com março, atingindo a marca de US$ 775 por tonelada. Esse aumento foi sentido no mundo todo. Por exemplo, a Ureia Industrial vendida a partir do Oriente Médio teve uma alta de 34,8% no mesmo período, chegando a US$ 735 por tonelada.
No mercado brasileiro, o reflexo dessa alta internacional pesou rapidamente no bolso das indústrias. O preço da Ureia Industrial nacional acompanhou o movimento de fora e subiu 29,1% no mês de abril. No entanto, apesar de os dados de abril mostrarem valores elevados, o que se observa nas últimas semanas são preços em queda, corrigindo os picos recentes de forma acelerada.
Essa queda, causada pelo volume fraco de compras em diversas regiões, ainda não foi suficiente para fazer os negócios voltarem ao normal. O mercado está praticamente parado. Os principais compradores, distribuidores e produtores de fertilizantes adotaram uma postura de muita cautela. As empresas estão esperando que os preços parem de cair e se estabilizem para realizarem compras mais significativas. A principal preocupação do mercado é antecipar a formação de estoques e enfrentar uma desvalorização contínua do produto, o que resultaria em perdas financeiras.
Para as equipes que cuidam da compra e do transporte desses materiais nas empresas, a mistura entre a queda de preços e a falta de novos negócios cria uma situação complicada. Como todo mundo está esperando para comprar ao mesmo tempo mais para frente, aumenta o risco de formar grandes filas nos portos quando as empresas precisarem do produto com urgência para garantir as safras e o funcionamento das fábricas no segundo semestre.
Esse movimento concentrado de compras pode sobrecarregar a chegada dos navios e aumentar bastante o risco de multas por atraso no descarregamento, um custo extra conhecido no setor logístico como demurrage, cobrado quando o navio fica no porto além do tempo previsto. Por conta dessa situação, as indústrias que dependem da ureia como matéria-prima principal precisam planejar muito bem suas estratégias. É preciso encontrar o equilíbrio entre a oportunidade de comprar um produto mais barato no futuro e a necessidade de garantir que não vai faltar material para a fábrica funcionar, especialmente com o risco de grandes atrasos nas entregas.
Autoral GlobalKem | 14 de maio de 2026