Restrição estrutural na China e integração na Índia sustentam cadeia de fósforo amarelo e ácido fosfórico
A cadeia global de fósforo amarelo inicia fevereiro com ajuste gradual entre oferta e demanda, influenciada por restrições regulatórias na China e novos investimentos industriais na Índia. Como produto de alto consumo energético, o fósforo amarelo permanece sob controle rigoroso de expansão de capacidade desde o 14º Plano Quinquenal, que exige substituição equivalente ou redução para novos projetos e determina a eliminação progressiva de unidades de menor escala.
Na China, aproximadamente 47% da capacidade instalada está concentrada em plantas inferiores a 50 mil toneladas anuais, enquanto 27% encontram-se abaixo de 30 mil toneladas. A tendência regulatória aponta para consolidação industrial e redução gradual da oferta marginal. Yunnan deve representar cerca de 46% da produção nacional até 2025, reforçando a concentração regional.
Do lado da demanda, o consumo aparente de fósforo amarelo deve atingir cerca de 1,0 milhão de toneladas em 2025, alta de 18% em relação ao ano anterior. As principais aplicações permanecem concentradas na produção de ácido fosfórico alimentício e insumos intermediários utilizados na indústria química. O segmento de defensivos agrícolas mantém estabilidade, enquanto aplicações voltadas a baterias e novos materiais seguem em expansão.
O movimento do enxofre alterou a estrutura de custos da cadeia. O preço doméstico chinês acumulou alta de 172% desde o início de 2025. Como a produção de ácido fosfórico industrial consome aproximadamente 1,29 tonelada de enxofre por tonelada produzida, o aumento da matéria-prima elevou significativamente o custo do processo convencional. Esse avanço reduziu a competitividade de parte da produção tradicional e favoreceu rotas mais eficientes baseadas em fósforo amarelo, ampliando sua atratividade relativa.
Se a oferta global de enxofre crescer em ritmo inferior à demanda ao longo de 2026, a diferença de custos continuará sustentando o mercado de fósforo amarelo e, consequentemente, do ácido fosfórico industrial. Caso a oferta russa seja retomada integralmente após março, o equilíbrio poderá se recompor no segundo trimestre, reduzindo a pressão sobre custos produtivos.
Na Índia, a Rashtriya Chemicals and Fertilizers Ltd (RCFL) anunciou investimento de US$104 milhões para construção de uma nova planta de ácido fosfórico em Maharashtra. O projeto fortalece a produção doméstica de matérias-primas para fertilizantes como DAP e NPK, reduzindo dependência de importações e aumentando a estabilidade da cadeia de suprimentos. A estratégia está alinhada às metas de autossuficiência do governo indiano e amplia a integração vertical da indústria local.
Autoral GlobalKem | 19 de fevereiro 2026