IG4 assume o controle da Braskem após acordo com bancos em meio à crise do setor petroquímico
O acordo que levou a IG4 Capital ao controle da Braskem redefine a exposição dos bancos credores ao desempenho da maior petroquímica da América Latina e ocorre em um momento desafiador para o setor de insumos químicos. Para viabilizar a operação, instituições como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES aceitaram substituir cerca de R$ 20 bilhões em dívida da antiga Novonor por instrumentos financeiros vinculados à valorização futura da companhia, renunciando à execução imediata das garantias acionárias.
A estrutura financeira reflete as dificuldades do atual ciclo petroquímico, marcado por preços mais baixos de polímeros, margens comprimidas e custos ainda elevados de matérias primas e energia. Nesse ambiente, a geração de valor no curto prazo permanece limitada, tornando a recuperação da Braskem dependente de ajustes operacionais, disciplina de capital e da normalização gradual do ciclo industrial global.
As incertezas se estendem às operações internacionais. No México, a Braskem Idesa enfrenta deterioração financeira após deixar de honrar o pagamento de juros de um bônus, situação que levou ao rebaixamento de parte de sua dívida e abriu negociações com credores. Com isso, Braskem fica exposta a riscos financeiros e reputacionais, que se somam a passivos ambientais ainda em discussão no Brasil, mantendo elevado o grau de incerteza para 2026.
Com a nova configuração societária, a IG4 passa a dividir o controle da companhia com a Petrobras, enquanto a Novonor mantém participação residual sem influência na governança. Para o mercado, o desfecho do acordo sinaliza uma aposta na reestruturação da Braskem em um setor altamente cíclico e intensivo em insumos químicos básicos, no qual a criação de valor depende diretamente da evolução do ciclo petroquímico e da capacidade da companhia de atravessar um ambiente operacional adverso.
Autoral GlobalKem | 22 de dezembro 2025