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Escassez de Enxofre atinge EuroChem e Mosaic no Brasil

A restrição na disponibilidade de Enxofre já começa a produzir efeitos concretos sobre importantes operações químicas no Brasil. A EuroChem vai reduzir temporariamente o ritmo de produção no complexo de Serra do Salitre, em Minas Gerais, enquanto a Mosaic também vem operando com menor produção em suas unidades brasileiras em razão da menor oferta e do aumento do custo da matéria-prima.

Na EuroChem, cerca de 450 trabalhadores de Serra do Salitre terão os contratos temporariamente suspensos a partir de 1º de outubro. Em nota divulgada à imprensa, a companhia relacionou a medida a desafios de mercado, competitividade, custos de produção e disponibilidade de matérias-primas estratégicas, citando especificamente o Enxofre. O programa terá duração inicial de três meses e poderá ser prorrogado. O impacto da redução das atividades vai além da produção de fosfatados. Serra do Salitre possui uma estrutura química integrada em que o Enxofre elementar é utilizado na fabricação de Ácido Sulfúrico, que posteriormente participa da produção de Ácido Fosfórico. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o complexo foi projetado com capacidade anual de aproximadamente 1 milhão de toneladas de Ácido Sulfúrico e 240 mil toneladas de Ácido Fosfórico.

Documentos de licenciamento ambiental do Governo de Minas Gerais também confirmam que a unidade produz Ácido Fluossilícico como subproduto do processamento fosfático. Dessa forma, uma redução prolongada do ritmo operacional pode atingir não apenas as cadeias de Ácido Sulfúrico e Fosfórico, mas também a geração desse insumo utilizado, entre outras aplicações, no tratamento de água. A situação da EuroChem não é isolada. Documentos oficiais apresentados pela Mosaic à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, mostram que a companhia também reduziu a produção brasileira diante da disponibilidade limitada de Enxofre. No segundo trimestre de 2026, o custo médio do Enxofre consumido pelas operações brasileiras da companhia atingiu US$ 516 por tonelada longa, comparado a US$ 270 no mesmo período de 2025, uma alta de aproximadamente 91%.

No mesmo trimestre, a produção do segmento brasileiro de fosfatados e ingredientes para nutrição animal da Mosaic caiu 52% na comparação anual, enquanto a taxa de operação das unidades de fosfatados recuou de 84% para 47%. A empresa atribuiu o movimento principalmente à paralisação de algumas unidades e à menor produção em Uberaba diante da disponibilidade limitada de Enxofre. A Mosaic informa que utiliza Enxofre fundido em suas plantas brasileiras justamente para produzir o Ácido Sulfúrico necessário a essa etapa. Em 2025, a companhia consumiu aproximadamente 900 mil toneladas longas de Enxofre em suas operações próprias no Brasil.

O cenário mostra que a restrição de Enxofre deixou de representar apenas um risco de custo para começar a afetar o nível de operação de produtores instalados no país. Para o mercado químico brasileiro, uma produção doméstica menor pode aumentar a atenção sobre a disponibilidade de Ácido Sulfúrico, Ácido Fosfórico e Ácido Fluossilícico, principalmente se as limitações de matéria-prima persistirem.

Autoral GlobalKem | 23 de Setembro de 2026

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