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Desequilíbrios de oferta e demanda transformam Enxofre em commodity estratégica e pressionam cadeia de insumos químicos 

Os desequilíbrios estruturais entre oferta e demanda no mercado global de Enxofre elevaram o insumo a um patamar de commodity estratégica, com reflexos diretos sobre a cadeia de insumos químicos industriais. Em maio de 2026, o Enxofre CFR Brasil mantém cotações entre os maiores níveis da série histórica, sustentado por restrições de produção em origens-chave, tensões logísticas no Estreito de Ormuz e maior demanda de mercados consumidores como a Indonésia e a China. 

Para o Brasil, que importa aproximadamente 2,3 milhões de toneladas de Enxofre por ano, correspondendo a cerca de 85% do consumo doméstico, essa dinâmica externa impacta diretamente o custo de produção do Ácido Sulfúrico, insumo crítico para fabricação de outros insumos químicos, sendo o mecanismo de transmissão de custos ao longo da cadeia direto e mensurável. 

O Enxofre elementar é produzido predominantemente como subproduto do refino de petróleo e do processamento de gás natural, de modo que interrupções ou reduções na atividade dessas indústrias impactam diretamente a geração de Enxofre recuperado. A combinação de manutenção em refinarias no Oriente Médio, restrições de exportação da Rússia e desafios logísticos no Mar Negro criou um escassez regional de oferta que se propaga para o mercado global. Adicionalmente, a demanda incremental da Indonésia por Enxofre para produção de intermediários de níquel via processo HPAL (High Pressure Acid Leach) adicionou cerca de 2 milhões de toneladas/ano ao consumo global, consolidando o país como terceiro maior importador mundial do insumo. Esse movimento estrutural compete por volumes que tradicionalmente atendiam mercados como Brasil, Índia e Marrocos, elevando prêmios de preço em rotas de exportação críticas. 

Para operadores de tratamento de água, esse movimento se traduz em pressão sobre custos operacionais de coagulantes, risco de desabastecimento em cenários de disrupção logística prolongada e possível migração técnica para alternativas como o PAC (Policloreto de Alumínio) em aplicações sensíveis a custo, uma vez que o PAC compete diretamente com sulfato de alumínio em processos de coagulação e floculação. 

Além disso, o Ácido Sulfúrico é insumo base para produção de Ácido Fosfórico industrial via processo úmido, utilizado em fertilizantes fosfatados e aplicações químicas especiais. Pressões sobre custos de Enxofre podem, portanto, influenciar a precificação de fosfatados e derivados, afetando setores como agronegócio e síntese de intermediários químicos. A demanda por Ácido Fosfórico para produção de baterias LFP (fosfato de ferro e lítio) adiciona pressão estrutural sobre oferta, competindo com aplicações tradicionais e exigindo alocação estratégica de volumes por parte de produtores integrados. 

Autoral GlobalKem | 13 de Maio de 2026 

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