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Conflito no Estreito de Ormuz interrompe produção de aminas e químicos especiais na Índia 

O conflito entre Estados Unidos e Irã começou a impactar produtores de químicos especiais na Índia, com empresas suspendendo a produção devido à escassez de amônia. A Mumbai-based Alkyl Amines Chemicals anunciou em 16 de março de 2026 a suspensão da fabricação de metilaminas, etilaminas e seus derivados em três unidades produtivas, devido à indisponibilidade de amônia. Outra produtora de aminas, a Balaji Amines, também paralisou operações pelo mesmo motivo, ressaltando que o impacto financeiro e operacional da escassez ainda não pode ser estimado. 

O mecanismo de transmissão do conflito para a indústria química é estrutural. A amônia é matéria-prima essencial para produção de aminas, que funcionam como intermediários químicos em diversas cadeias industriais. A interrupção da produção na Índia afeta diretamente a disponibilidade de amônia industrial, ureia industrial, ácido nítrico e derivados nitrogenados utilizados em síntese de tensoativos, aditivos e catalisadores para cadeias de polímeros e químicos especiais. 

A Índia é um dos maiores importadores mundiais de amônia, com a maior parte do suprimento proveniente de Omã, Arábia Saudita e Catar, todos dependentes do trânsito pelo Estreito de Ormuz. O fechamento do estreito pelo Irã, em resposta a ataques dos EUA e Israel, interrompeu o fluxo de gás natural liquefeito (GNL), matéria-prima para produção de amônia. 

Dados do Ministério de Petróleo e Gás Natural da Índia indicam que cerca de 50% da demanda doméstica de gás natural é atendida por importações, que reduziram significativamente devido ao conflito. Como medida de priorização, plantas de fertilizantes recebem aproximadamente 70% do suprimento, enquanto refinarias e unidades petroquímicas sofrem cortes de cerca de 35%. 

A escassez de aminas na Índia pode afetar o abastecimento global de intermediários químicos, uma vez que o país é produtor relevante de derivados de amônia para exportação. Além disso, a elevação dos preços de ureia no Sudeste Asiático, sinaliza pressão sobre cadeias que utilizam amônia e seus derivados como matéria-prima. 

Autoral GlobalKem | 27 de novembro de 2025

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