Concorrência chinesa força Rusal a encerrar principal fábrica de silício e expõe fragilidade da indústria russa
A Rusal confirmou que encerrará, em 1º de janeiro de 2026, as operações da Kremniy, uma das duas únicas plantas russas de silício refinado, localizada em Shelekhov, na região de Irkutsk. A empresa atribuiu a decisão ao avanço das importações de silício de baixo custo provenientes da China, que reduziu a demanda doméstica e inviabilizou a competitividade do produto russo no mercado internacional. A unidade já havia sido impactada pela queda gradual da atividade econômica e pela perda de espaço no exterior, fatores que também motivaram, no início de 2025, o anúncio de corte de 35% na produção anual.
O fechamento ocorre em um momento de retração mais ampla da indústria pesada russa. Setores como mineração, metalurgia, transporte, cimento e máquinas registraram jornadas reduzidas, paralisações de linhas ou demissões, reflexo da demanda interna enfraquecida e da diminuição das exportações. Empresas como VSMPO-Avisma, Ashinsky Metallurgical Plant, Russian Railways, GAZ, KamAZ e AvtoVAZ anunciaram ajustes operacionais, enquanto outras unidades, como uma importante fábrica de compensado em Tyumen, encerraram totalmente as atividades.
A segunda planta de silício da Rusal, a Kremniy Ural, continuará em operação, porém com capacidade reduzida. A companhia já notificou autoridades regionais e solicitou apoio para mitigar impactos sociais sobre os trabalhadores afetados. A pressão competitiva da China também se intensifica no alumínio: em outubro, as importações chinesas de alumínio primário e produtos semifabricados cresceram mais de 10% na comparação anual, sustentadas por um diferencial de preços que ampliou a atratividade do metal estrangeiro. Simultaneamente, alumina importada ganhou competitividade frente ao produto doméstico, enquanto estoques atingiram níveis elevados devido ao excedente estrutural de oferta.
No cenário externo, a Rusal busca novas alternativas produtivas. A parceria firmada com o fundo soberano da Etiópia para desenvolver uma fundição de alumínio de 500 mil toneladas anuais sinaliza a tentativa de reposicionamento estratégico da companhia em regiões com energia de baixo custo e maior espaço para expansão industrial. O movimento ocorre enquanto a pressão asiática sobre o mercado global de metais básicos se reforça, impulsionada pela produção chinesa em larga escala e pela crescente integração de sua cadeia de alumínio, desde o silício metalúrgico até as ligas voltadas aos setores automotivo, de baterias e eletrônicos.
Autoral GlobalKem | 19 de novembro de 2025